Ex-vereador e policial militar são presos por crimes violentos em Itaporã
O ex-vereador Célio Poveda e o 1º sargento da Polícia Militar Luiz Gonçalves de Oliveira foram presos na última sexta-feira (20) em Itaporã, Mato Grosso do Sul. A prisão foi realizada por equipes da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que investigam o envolvimento dos dois em uma tentativa de homicídio registrada em outubro de 2025 e em uma execução ocorrida neste mês de fevereiro.
Suspeitas de crimes graves e agiotagem
Segundo informações da Polícia Civil, além dos crimes violentos, os dois também são investigados por possível ligação com uma rede de agiotagem que atuaria no município. Ambos já tinham mandados de prisão temporária expedidos pela Justiça, que foram cumpridos durante a operação policial.
Durante a prisão, o ex-vereador Célio Poveda foi autuado em flagrante por porte ilegal de arma. Com ele, os policiais apreenderam uma arma de fogo e munições. Foi fixada fiança de R$ 5 mil para esse crime, valor que, conforme o advogado Ronaldo Graziuso Oliveira, será pago pelo cliente.
Detalhes dos crimes investigados
O primeiro caso que levou às prisões ocorreu em outubro de 2025, quando um moto entregador foi atingido por cinco tiros. Os disparos acertaram o rosto, o tórax, as costas e o ombro da vítima, que sobreviveu ao ataque. A vítima relatou à polícia que vinha sofrendo ameaças antes do ocorrido.
Já no dia 1º de fevereiro deste ano, Francisco da Silva, de 48 anos, foi encontrado morto em Itaporã. Conforme apurado pelas investigações, o policial militar Luiz Gonçalves é suspeito de ter executado esse crime. A investigação aponta que o sargento teria sido o autor dos disparos contra as vítimas, enquanto Célio Poveda é apontado como suposto mandante dos crimes.
Promoção um dia antes da prisão
Um detalhe que chamou atenção no caso foi que, um dia antes de ser preso, na quinta-feira (19), Luiz Gonçalves foi promovido a 1º sargento da Polícia Militar. A promoção ocorreu por antiguidade e foi publicada em edição do Diário Oficial do Estado (DOE).
Posicionamento das defesas e da PM
Os dois presos passaram por audiência de custódia no domingo (22) e vão permanecer detidos. Ao ser questionada, a defesa de Célio Poveda informou que já entrou com pedido de revogação da prisão temporária, sob a justificativa de que ele ainda não foi denunciado formalmente. A defesa do policial militar não se manifestou até o fechamento desta reportagem.
A Corregedoria da Polícia Militar emitiu nota informando que acompanha o caso. A instituição afirmou que esteve presente durante o cumprimento do mandado de prisão, atuando em cooperação com a Polícia Civil. A PM reforçou que não compactua com comportamentos que ferem a imagem da corporação e que o fato registrado se trata de uma conduta isolada.
"A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul já está adotando os procedimentos cabíveis, de forma a assegurar a devida apuração e responsabilização das possíveis condutas residuais ilícitas do policial militar", destacou a nota oficial.
Sobre a promoção do sargento, a PM explicou que se tratou de um ato retroativo que, em princípio, atendia a todos os requisitos legais necessários naquele momento. A corporação reiterou seu compromisso com a sociedade sul-mato-grossense e com a preservação da ordem pública.



