Empresa fornecedora de merenda escolar em Sorocaba e Votorantim é investigada por receptação de leite roubado
A W&C Alimentos Ltda., empresa que fornece cestas básicas e itens para a merenda escolar às prefeituras de Sorocaba e Votorantim, no interior de São Paulo, tornou-se alvo de uma investigação da Polícia Civil por suspeita de receptação qualificada. O sócio da empresa, Cristian Adriano da Costa, é apontado como principal suspeito de ter adquirido uma carga de leite em pó avaliada em mais de R$ 880 mil, que havia sido roubada na Bahia em dezembro de 2023.
Detalhes do roubo e rastreamento da carga
O inquérito, conduzido pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) de São Paulo através da Divisão de Investigações sobre Furtos, Roubos e Receptações de Veículos e Cargas (Divecar), apura se Cristian recebeu a carga no dia 15 de dezembro de 2023. O produto havia sido roubado nove dias antes, em 6 de dezembro, na BR-242, próximo a Barreiras (BA), com valor total estimado em R$ 889.219,57.
Segundo as investigações, o caminhão que transportava a mercadoria foi assaltado por criminosos armados na Bahia. A polícia baiana conseguiu rastrear a carga até Arapiraca, em Alagoas, onde foi transferida para outro veículo que seguiu em direção a São Paulo. Policiais militares rodoviários foram acionados por uma empresa de gerenciamento de riscos que monitorava a situação.
Operação policial e descobertas
Em 15 de dezembro, a Polícia Militar Rodoviária abordou o segundo caminhão já vazio em Mogi-Mirim (SP). O motorista confessou ter descarregado o leite na empresa W&C Alimentos, localizada em Estiva Gerbi. Durante a abordagem, o condutor apresentou uma nota fiscal no valor de R$ 99.989,15, emitida por uma empresa sediada em Barcelona, no Rio Grande do Norte, mas a polícia suspeita que o documento seja falso, já que a empresa emissora não foi encontrada no endereço indicado.
Com base nessas informações, no dia 7 de maio de 2024, a polícia cumpriu mandados de busca na sede da W&C e em endereços ligados a Cristian. Dois funcionários, identificados como gerentes, foram indiciados por receptação qualificada. De acordo com as autoridades, eles entraram em contradição sobre a assinatura em um recibo de entrega apreendido durante as buscas.
Reação da defesa e desenvolvimento do caso
Cristian Adriano da Costa não compareceu à delegacia durante as diligências, mesmo ciente do inquérito. Ele enviou advogados e impetrou Habeas Corpus, argumentando que nada ilícito foi encontrado durante as buscas. A delegada responsável pelo caso rebateu os argumentos da defesa, destacando que o investigado "celebra inúmeros contratos de licitação com os municípios adjacentes ao município de Estiva Gerbi" e que a tentativa de travar o inquérito visaria "somente atrasar a investigação e ganhar tempo".
A investigação chegou a ser arquivada, mas foi reaberta em janeiro de 2024 a pedido do Ministério Público, após a empresa vítima do roubo alegar que uma testemunha protegida não havia sido ouvida. Em depoimento, a testemunha afirmou que a carga de leite foi retirada "às pressas" da W&C em caminhões da própria empresa e que o produto recebido foi distribuído para creches e escolas públicas da região com as quais a empresa possui contrato.
Posicionamento da empresa e prefeituras
Em nota, a defesa da W&C Alimentos e de seu sócio afirma que a acusação de receptação é "leviana" e que a empresa "atua no seu ramo de atividade empresarial há décadas e inexiste qualquer processo desta estirpe contra a empresa, que a todo momento cooperou com as investigações". A defesa ainda ressalta que a empresa "reitera sua conduta pautada na legalidade e nas boas práticas".
As prefeituras de Sorocaba e Votorantim não se manifestaram sobre os contratos com a empresa até a última atualização desta reportagem. O crime de receptação qualificada, investigado no caso, aplica-se a quem recebe produto de origem criminosa em atividade comercial e prevê pena de 3 a 8 anos de reclusão, além de multa.



