Documentário revela disputa bilionária por herança das Casas Pernambucanas e drama familiar
Disputa bilionária por herança das Casas Pernambucanas em documentário (26.02.2026)

Documentário expõe guerra bilionária pela herança das Casas Pernambucanas

A história de Anita Harley, herdeira de um dos maiores impérios do varejo brasileiro, transformou-se em um intrincado drama judicial que movimenta R$ 2 bilhões e envolve relações familiares contestadas, amores escondidos e uma batalha pelo controle das Casas Pernambucanas. A série documental "O Testamento - O Segredo de Anita Harley", que estreou no Globoplay, mergulha nessa trama real que parece saída de uma obra de ficção.

O estado de coma e o vácuo de poder

Anita Harley encontra-se em estado de coma há quase 10 anos, após sofrer um acidente vascular cerebral em novembro de 2016. Atualmente hospitalizada em uma UTI, sua situação é descrita pela diretora do documentário, Camila Appel, como um "grande pesadelo": "A Anita se encontra num estado que é um grande pesadelo para todos nós, que é um estado em que você é considerado vivo. Clinicamente vivo, né. Mas não pode responder nem tomar decisões."

Esse vácuo de decisões criou o cenário perfeito para uma disputa judicial sem precedentes que envolve não apenas o controle da empresa familiar, mas também a definição das relações pessoais da empresária.

As múltiplas versões de uma família

No centro da controvérsia está Artur Miceli, de 31 anos, filho biológico de Sônia Soares, conhecida como Suzuki. Um ano após a internação de Anita, Sônia entrou com uma ação alegando que as duas viviam em união estável havia 36 anos. A Justiça deu decisão favorável, reconhecendo a relação do casal.

"Eu estou aqui porque eu preciso da minha história e não da história que contam", afirmou Sônia no documentário. A Justiça também decidiu que Artur deve ser considerado filho socioafetivo de Anita Harley e, portanto, seu herdeiro legítimo.

Em entrevista emocionada, Artur revela como a disputa o forçou a provar sua própria existência: "Essencialmente, eu sou um filho. Eu acho que a única forma que eu tenho de tirar essa narrativa da mão dos outros é que eu possa contar a minha história. É muito ruim você ter que provar que você existe. E que eu tive uma família, e que eu fui amado, e que eu tive estrutura e tal, é muito chato."

A relação contestada e a mansão de 96 cômodos

Suzuki e Anita moravam em uma mansão de 96 cômodos e 37 banheiros na Aclimação, em São Paulo, imóvel doado a Sônia pela empresária e avaliado em R$ 50 milhões. Quando questionada no documentário sobre quanto tempo moraram juntas, Sônia respondeu: "36 anos. Até o AVC." E sobre seus sentimentos: "Muito."

Porém, essa versão é veementemente contestada por Cristine Rodrigues, que trabalhou com Anita e também reivindica na Justiça ser a verdadeira companheira da empresária. "Ela é minha companheira de vida", declarou Cristine, acrescentando sobre a alegação de Sônia: "Olha. Não preciso nem enxergar. Ninguém pode estar em dois lugares. Será que não dá pra entender?"

Cristine oferece uma perspectiva diferente sobre o relacionamento de Anita com Artur: "Anita tratava ele bem, como você trata uma criança que mora na sua casa. O fato de você tratar bem uma criança, de você pagar os estudos dessa criança... é normal. Não é só dele que ela pagava. Faculdade, colégio. Pagava convênio de muita gente. Já deu casas pra funcionários, carros. Ela era uma pessoa muito, muito generosa."

A estética de ficção para uma história real

Para contar essa trama complexa de "amores escondidos" e "reviravoltas judiciais", a direção do documentário optou por uma estética diferenciada e consciente. Monica Almeida, diretora de gênero da Globo, explica: "A gente optou pela ideia de reconstruir os cenários todos num estúdio e escancara isso. A gente não finge que aquele cenário é a casa. A gente mostra o estúdio. Tinha essa intenção de transformar aquela narrativa numa narrativa com mais cara de ficção mesmo."

Cinco anos de investigação e a busca pela verdade

A série documental é resultado de cinco anos de investigação jornalística intensa. Para a diretora Camila Appel, a produção reflete sobre a vulnerabilidade daqueles que perdem a voz: "É uma série que fala sobre o que pode acontecer com aqueles que não podem falar por si mesmos. Isso gera uma identificação de todo mundo, de pensar: puxa, e se acontecesse comigo?"

Appel revela ainda sua jornada pessoal durante a investigação: "Eu até estava em busca de uma verdade. Mas no meio do caminho eu percebi que eu não ia conseguir alcançá-la. E eu acho que abrir mão dessa busca me fez muito bem no processo de investigação e no resultado da série. Porque aí eu foquei em trazer a complexidade dessa história, trazer todas as vozes, que são muitas, e elas realmente brigam entre si."

O futuro incerto e uma revelação surpreendente

Enquanto o futuro das Casas Pernambucanas permanece incerto, os envolvidos descrevem a disputa como uma bruta luta por "dinheiro, poder e influência". O desfecho da investigação promete uma revelação surpreendente que pode alterar novamente os rumos dessa história extraordinária.

A série documental não apenas expõe os detalhes dessa batalha bilionária, mas também levanta questões profundas sobre família, identidade, amor e a natureza da verdade em conflitos onde cada parte possui sua própria versão dos fatos.