Os patinetes elétricos de aluguel chegaram ao Recife em março como uma alternativa para a mobilidade urbana, mas em menos de dois meses já acumulam controvérsias. Um vídeo que mostra cinco adolescentes dividindo o mesmo patinete no bairro de Boa Viagem, Zona Sul da cidade, é apenas o exemplo mais recente. Também foram registrados equipamentos abandonados em rampas de acessibilidade, manguezais e até dentro de canais. O que era para ser uma solução de transporte tornou-se um desafio para a sociedade.
Números e bloqueios
Atualmente, mil patinetes estão espalhados por nove bairros do Recife, com maior concentração na área central, próximo ao Marco Zero, no Centro Histórico. No primeiro mês de operação, mais de 100 pessoas foram bloqueadas pela empresa Whoosh, uma das permissionárias, devido a irregularidades no uso dos equipamentos.
Opinião de especialistas
Para o arquiteto e urbanista Francisco Cunha, o patinete é um excelente aliado quando usado por adultos de forma responsável. "Pode pegar o patinete para chegar mais rápido e com mais conforto ao seu destino. Agora, se isso é feito sem seguir as regras, vira permissividade total, o que é um equívoco, porque há multa, restrição e até apreensão do veículo. O risco é a balbúrdia inviabilizar a inovação", afirmou em entrevista à TV Globo.
Infrações recorrentes
Diversas denúncias apontam patinetes trafegando em calçadas e em velocidade acima do permitido em ciclofaixas. O estacionamento irregular também é frequente, obstruindo a passagem de pedestres e veículos. O gerente de Políticas de Inovação do Recife, Evisson Lucena, lembra que os usuários devem estacionar nos locais indicados e sinalizados pelas empresas. "Com relação aos patinetes abandonados, não pode. Se você deixar fora desses locais, será cobrado por isso, com débito no cartão", explicou.
Soluções e ajustes
Francisco Cunha sugere medidas como cuidado redobrado com a legislação, fiscalização e, principalmente, educação dos usuários. "As pessoas imaginam que podem fazer qualquer coisa com o patinete", criticou. O serviço ainda está em fase de testes, e as duas empresas permissionárias podem fazer ajustes conforme a demanda dos usuários.



