Primeira audiência do caso "Crime da Mala" revela detalhes chocantes da investigação
A Justiça gaúcha realizou, nesta quarta-feira (11), a primeira audiência de instrução do processo sobre o brutal feminicídio de Brasília Costa, 65 anos, ocorrido em agosto de 2025. O réu é Ricardo Jardim, 66 anos, companheiro da vítima, que está preso preventivamente desde setembro do ano passado.
O crime que chocou Porto Alegre
Em agosto de 2025, o publicitário Ricardo Jardim deixou uma mala contendo o tórax da mulher no guarda-volumes da Rodoviária de Porto Alegre. Outras partes do corpo da vítima foram encontradas em diferentes pontos da capital gaúcha, em um caso que ganhou ampla repercussão nacional.
Testemunhas e questionamentos da defesa
A audiência foi conduzida pela juíza Cristiane Busatto Zardo, da 4ª Vara do Júri de Porto Alegre. Ao todo, oito testemunhas arroladas pelo Ministério Público foram ouvidas, incluindo familiares da vítima, o dono da pensão onde o casal morava e o delegado responsável pela investigação.
Os defensores Gabriel Luiz Pinto Seifriz e Tatiana Kosby Boeira questionaram o encontro de um vestígio de DNA de uma terceira pessoa, não identificada, no local do crime. Segundo a defensora Tatiana, o delegado não soube informar se houve investigação sobre a quem pertenceria esse material genético.
Defesa requer exame de insanidade mental
A defesa informou que vai requerer a abertura de um incidente de insanidade mental, procedimento jurídico previsto no Código de Processo Penal que visa apurar, por meio de perícia médica, se o acusado era incapaz de entender o caráter ilícito do fato ao tempo da ação.
"O nosso entendimento é de que é imprescindível que se faça isso agora e a gente vai encaminhar um requerimento para que se faça esse exame, que nunca foi feito", afirmou a defensora Tatiana Boeira.
A decisão se baseia no depoimento de uma psicóloga, amiga de infância do réu, que foi a primeira testemunha ouvida. Segundo a defesa, a testemunha trouxe informações sobre o estado psíquico do acusado e sobre uma suposta falha na defesa dele em processo anterior.
Ministério Público pode aditar denúncia
O Ministério Público, representado pelas promotoras Luciana Cano Casarotto e Luciane Feiten Wingert, deve aditar a denúncia original. O aditamento permite modificação ou acréscimo de fatos à peça acusatória.
"A primeira audiência foi um momento de grande emoção para todos os presentes e trouxe à tona detalhes relevantes sobre os crimes", afirmou a promotora Luciana Casarotto.
A mudança pode ocorrer após a chegada dos resultados da quebra de sigilo bancário da vítima, que foram juntados ao processo recentemente. A motivação financeira era uma das linhas de investigação, embora a defesa alegue que familiares e amigos afirmaram que Brasília vivia apenas de sua aposentadoria.
Família busca justiça
Primas da vítima, Suzi e Roselene Costa, acompanharam a audiência. "Tudo que se quer é que ele não saia mais da cadeia", afirmou Suzi Costa. Roselene disse acreditar que o caso irá a júri popular.
A próxima sessão, para ouvir as testemunhas de defesa, está marcada para 18 de março.
Relembrando o caso
Ricardo Jardim foi denunciado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul por oito crimes, incluindo:
- Feminicídio
- Ocultação de cadáver
- Falsificação de documentos
- Vilipêndio de cadáver
A investigação teve início depois que o torso do cadáver foi achado dentro de uma mala em um armário da rodoviária de Porto Alegre em agosto de 2025. A polícia segue em busca do crânio da mulher.
O primeiro descarte de partes do corpo ocorreu em 13 de agosto, em local ermo na Zona Leste da capital. Já o segundo ato foi registrado em 20 de agosto, na rodoviária. As pernas foram encontradas em dois trechos diferentes da Zona Sul.
O suspeito foi identificado a partir de imagens de câmeras de segurança que o mostraram abaixando a máscara que usava no vídeo registrado na rodoviária.
O velório de Brasília Costa aconteceu somente em janeiro de 2026, no Cemitério Municipal de Jaguarão, no Sul do RS, cidade onde ela morou durante a infância e a juventude.



