Casal recebe liberdade provisória após prisão por venda ilegal de canetas emagrecedoras
Um casal suspeito de vender canetas emagrecedoras contrabandeadas em Pindamonhangaba foi solto após audiência de custódia realizada nesta quarta-feira (11). A Justiça concedeu liberdade provisória a Camilla Cordeiro Santos da Silva, de 32 anos, e Geverson Ferreira da Silva, de 36 anos, que haviam sido presos em flagrante pela Polícia Civil.
Condições da liberdade provisória incluem fiança e medidas cautelares
A decisão judicial estabeleceu o pagamento de fiança no valor de R$ 10 mil para cada um dos investigados, além do cumprimento de medidas cautelares específicas. Entre as condições impostas estão:
- Comparecimento a cada dois meses em cartório para justificar atividades
- Proibição de mudança de endereço sem autorização judicial prévia
- Restrições quanto à continuidade das atividades investigadas
Operação policial apreende medicamentos contrabandeados
A prisão do casal ocorreu após investigação da Polícia Civil, iniciada a partir de denúncia anônima encaminhada pela Polícia Federal. Durante a operação, os policiais encontraram na residência do casal 14 caixas do medicamento Tirzec 15 / Tirzepatida, armazenadas de forma inadequada na geladeira.
Segundo o boletim de ocorrência, os suspeitos compravam o medicamento em Foz do Iguaçu, no Paraná, e revendiam pela internet através de redes sociais, sem qualquer prescrição médica ou autorização sanitária.
Depoimentos revelam detalhes da operação ilegal
Em depoimento preliminar, Camilla afirmou que realizava a venda do medicamento por meio das redes sociais e alegou acreditar que o produto era legalizado. No entanto, conforme relatou o delegado Rubens Garcia Neto, "a própria investigada afirmou saber que a prática era ilegal" e apontou o companheiro como cúmplice.
O delegado explicou ainda que "segundo ela, a participação dele era ir até Foz do Iguaçu, no Paraná, comprar o medicamento, que vinha do Paraguai, trazer até Pindamonhangaba, e ela realizava a comercialização por meio das redes sociais".
Riscos graves para a saúde pública
O delegado destacou que, independentemente de o produto ser original ou falso, a venda é proibida. "A comercialização só é permitida com receita médica e acompanhamento profissional. Se for falso, a situação se agrava, pois pode ser prejudicial à saúde", afirmou em entrevista à TV Vanguarda.
A médica endocrinologista Camila Pagano Guedes reforçou o alerta sobre os perigos: "Essas canetas são usadas para o tratamento de doenças, como obesidade ou diabetes. Quando você utiliza uma caneta que não tem registro no principal órgão do país, que é a Anvisa, a gente não sabe o que tem ali dentro. Ela pode conter substâncias que não estão apresentadas na bula. Se é que tem bula... Então, os riscos são imprevisíveis".
Processo judicial e possíveis penas
Os medicamentos apreendidos foram encaminhados para perícia, que deve apontar a procedência dos produtos. O casal deve responder por:
- Contrabando e falsificação
- Corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais
Segundo a Polícia Civil, a pena para esses crimes varia de 10 a 15 anos de prisão, dependendo das circunstâncias apuradas durante o processo.
Próximos passos da investigação
A investigação continua para apurar todos os detalhes da operação ilegal, incluindo a rede de fornecedores e possíveis outros envolvidos. A Polícia Civil mantém o alerta para a população sobre os riscos de adquirir medicamentos sem prescrição médica e fora dos canais regulamentados.
O caso serve como advertência sobre os perigos do comércio ilegal de medicamentos, que coloca em risco a saúde pública e viola as normas sanitárias estabelecidas no país.



