Justiça de Minas libera adolescente suspeito de triplo homicídio em padaria
Adolescente suspeito de homicídio em padaria é liberado em Minas

Justiça de Minas Gerais liberta adolescente suspeito de triplo homicídio em padaria

A Justiça de Minas Gerais determinou a libertação do adolescente de 17 anos que estava apreendido sob suspeita de envolvimento no triplo homicídio ocorrido em uma padaria de Ribeirão das Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte. O jovem foi solto na noite de quinta-feira (12), após a Polícia Civil prender um homem de 30 anos que se tornou o principal suspeito do crime.

Crime brutal na padaria deixou três vítimas fatais

O ataque aconteceu na noite do dia 4 de fevereiro, quando um atirador chegou de moto à padaria e, ainda de capacete, iniciou uma discussão com Nathielly Kamilly Fernandes Faria, de 16 anos, funcionária do estabelecimento. As outras duas vítimas, Ione Ferreira Costa, de 56 anos, e Emanuely Geovanna Rodrigues Seabra, de 14 anos, tentaram intervir e foram baleadas. Ione e Nathielly morreram no local, enquanto Emanuely faleceu no hospital no dia seguinte.

Segundo relatos da Polícia Militar, o suspeito ainda apontou a arma para outra funcionária, que implorou para não ser atingida. O homem teria feito gestos jocosos, colocando os polegares nas bochechas e mostrando a língua, antes de fugir do local.

Novo suspeito preso e mudança no rumo da investigação

O adolescente, que era namorado de Nathielly, foi apreendido horas após o crime pela Polícia Militar, baseado em informações de testemunhas. Contudo, na quarta-feira (11), a Polícia Civil prendeu um homem de 30 anos, que passou a ser considerado o principal suspeito. O nome do homem não foi divulgado, mas os investigadores informaram que ele tem histórico de crimes como ameaças e perseguições a mulheres.

O delegado Marcos Vinícius Solis explicou que a prisão ocorreu após a descoberta de uma tentativa de homicídio em uma oficina mecânica na mesma região. "Conseguimos imagens de câmeras de segurança que foram comparadas com as do executor do crime na padaria", afirmou Solis. "Elementos como capacete, motocicleta e características pessoais batem com os fatos ocorridos tanto na padaria quanto na oficina".

Advogado critica falhas na proteção e na investigação

O advogado Gilmar Francisco, que defende o adolescente, informou que seu cliente deixou o sistema socioeducativo na noite de quinta-feira, mas não está na casa da família por questões de segurança. Francisco reclama que "o governo de Minas falhou na proteção e no apoio ao menor".

Segundo o advogado, a juíza determinou que o adolescente fosse conduzido a um lugar seguro com apoio do PPCAAM (Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte), mas isso não ocorreu. "O requerimento da juíza não foi cumprido, trazendo risco à segurança do menor e da família. Ele saiu pela porta da frente com a mãe em carro particular", disse Francisco.

O defensor também critica a condução das investigações, afirmando que a Polícia Civil ignorou evidências que inocentariam o adolescente:

  • Imagens de câmeras de segurança mostram o jovem andando de bicicleta em local distante da padaria no momento dos tiros
  • Comprovante de um Pix feito pelo adolescente em uma mercearia em horário próximo ao crime

Investigadores mantêm sigilo sobre elementos que levaram à apreensão inicial

Durante entrevista coletiva, representantes da Polícia Militar e da Polícia Civil não detalharam os elementos que levaram à apreensão inicial do adolescente, limitando-se a dizer que as suspeitas surgiram de "informações de testemunhas". As autoridades confirmaram, porém, que o homem preso na quarta-feira é agora o principal suspeito.

O delegado Solis reforçou que a investigação continua em andamento. O homem de 30 anos foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo, encontrada em sua residência, e os investigadores já pediram sua prisão preventiva pelos crimes da padaria e da oficina mecânica. A arma apreendida passa por perícia para confirmar ou não sua ligação com os homicídios.

Até o momento, a apuração não indica qualquer relação entre o homem preso e o adolescente liberado, conforme informações da Polícia Civil. A reportagem questionou a corporação sobre as críticas do advogado, mas não obteve resposta até a publicação.