Ex-príncipe Andrew é preso por 11 horas no Reino Unido sob suspeita de má conduta pública
Ex-príncipe Andrew preso por 11 horas no Reino Unido

Ex-príncipe Andrew é detido por 11 horas no Reino Unido em caso ligado a Jeffrey Epstein

O ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor, irmão mais novo do rei Charles 3º, foi preso por aproximadamente 11 horas nesta quinta-feira (19) sob suspeita de má conduta em cargo público, relacionada aos seus vínculos com o financista Jeffrey Epstein. Este episódio representa o maior desdobramento até agora do caso Epstein envolvendo uma figura pública de alto perfil.

Detenção e liberação sob investigação

Durante a manhã, o Palácio de Buckingham confirmou a prisão de Andrew. Em uma nota oficial, o rei Charles expressou "a mais profunda preocupação" com as notícias sobre seu irmão e as suspeitas de má conduta. Pouco mais de 11 horas depois, o ex-príncipe foi visto deixando o centro policial. A corporação policial britânica informou que Andrew "foi liberado sob investigação" e que não fará novas declarações no momento.

Antes mesmo da soltura, o rei Charles afirmou que as acusações contra seu irmão serão investigadas "de maneira apropriada". Ele declarou: "As autoridades têm nosso apoio e cooperação plenos e incondicionais. Permitam-me afirmar com clareza: a lei deve seguir seu curso." A prisão ocorreu no mesmo dia em que o ex-duque de York completa 66 anos, adicionando um tom simbólico ao evento.

Operação policial e contexto histórico

Andrew foi interrogado pelas autoridades, que também realizaram uma operação de busca e apreensão. A polícia britânica já havia anunciado no início deste mês que analisava denúncias de que o ex-príncipe teria repassado informações confidenciais do governo a Epstein, conforme novos documentos publicados pelo Departamento de Estado dos EUA.

Segundo a imprensa inglesa, carros de polícia sem identificação e cerca de oito agentes à paisana foram até a casa de campo em Sandringham, propriedade do rei em Norfolk, no leste da Inglaterra, onde Andrew vive atualmente. Ele se mudou para o local no início deste mês, após deixar sua mansão na propriedade da família real em Windsor, onde residiu por anos. A troca de residência ocorreu logo após novas revelações sobre seus vínculos com Epstein nos arquivos divulgados pelo governo dos Estados Unidos.

Imagens e documentos incriminatórios

Em fotos incluídas no último lote de documentos sobre o caso, o ex-duque de York aparecia ajoelhado sobre uma mulher deitada no chão. Em duas delas, ele parece estar tocando na barriga dela, enquanto outra imagem o mostra olhando diretamente para a câmera. Esta nova leva de arquivos trouxe novamente o foco para Andrew e representou mais um capítulo na crise envolvendo a família real britânica.

O filho da rainha Elizabeth 2ª foi destituído de todos os títulos reais no ano passado, devido aos laços com Epstein. Na prática, Andrew já não é mais um membro da realeza, mas permanece na linha de sucessão ao trono, ocupando a oitava posição. Ele sempre negou qualquer irregularidade em relação a Epstein e já disse que se arrepende da amizade entre eles.

Histórico sem precedentes e acusações detalhadas

Esta é a primeira vez em quase 400 anos que um membro direto da família real britânica é preso. O caso mais recente ocorreu em 1647, quando o rei Charles 1º foi detido durante a Guerra Civil Inglesa por forças alinhadas ao Parlamento. Ele foi posteriormente julgado por alta traição e executado em 1649. Desde então, nenhum outro caso semelhante havia sido registrado.

Em 2010, Andrew teria encaminhado relatórios governamentais de visitas que realizou ao Vietnã, Singapura e China para Epstein. Os documentos também parecem revelar que o ex-príncipe enviou ao financista informações sobre oportunidades de investimento em ouro e urânio no Afeganistão. Andrew atuou como enviado comercial do Reino Unido de 2001 a 2011, e os ocupantes do cargo têm o dever de manter sigilo sobre informações sensíveis, comerciais ou políticas relacionadas às suas visitas oficiais.

Consequências legais e reações políticas

Uma condenação por má conduta em cargo público prevê pena máxima de prisão perpétua e deve ser julgada em um Crown Court, um tribunal de primeira instância que analisa infrações criminais mais graves. O Departamento de Justiça dos EUA também publicou emails separados que sugerem que Epstein convidou Andrew para jantar com uma mulher russa de 26 anos. As mensagens foram trocadas em agosto de 2010, dois anos depois de Epstein se declarar culpado de aliciar uma menor de idade.

Após a liberação dos materiais, o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, disse que o ex-príncipe deveria testemunhar perante um comitê do Congresso dos EUA para explicar tudo o que sabe sobre Epstein, reforçando um pedido que legisladores americanos haviam refeito a Andrew em novembro. Mais cedo nesta quinta, antes de a prisão ser anunciada, o premiê afirmou em entrevista à BBC que "ninguém está acima da lei", ao ser questionado sobre o ex-príncipe.

Contexto do caso Epstein e acusações anteriores

A relação de Andrew com o bilionário americano foi primeiramente denunciada pela australiana-americana Virginia Giuffre, que acusou o então príncipe de ter abusado sexualmente dela e contratado serviços da rede de exploração sexual do americano. Ela ingressou com um processo judicial contra Andrew em um tribunal de Nova York em 2021, acusando-o de abuso sexual em três ocasiões, quando ela tinha 17 anos, com a ajuda de Epstein.

Andrew chegou a pagar uma quantia milionária, não divulgada publicamente, em 2022 para encerrar a ação judicial, estimada em mais de £ 9 milhões (cerca de R$ 63 milhões na cotação atual). O ex-príncipe afirma que nunca a conheceu e nega as acusações, embora uma foto amplamente divulgada na imprensa mostre os dois juntos ao lado de Ghislaine Maxwell, namorada de Epstein e acusada de coordenar a rede de tráfico sexual do financista. Giuffre se suicidou em abril do ano passado, aos 41 anos, e sua família emitiu uma nota nesta quinta afirmando que a prisão de Andrew mostra que "ninguém está acima da lei".

Epstein se suicidou em uma prisão nos Estados Unidos em 2019 quando aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual, encerrando um capítulo sombrio que continua a reverberar na esfera pública e legal.