Operação CNPJ na Cela combate esquema de fraude fiscal com empresa registrada em penitenciária em Mato Grosso
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou nesta terça-feira (3) a Operação CNPJ na Cela, que tem como alvo um contador apontado como o principal articulador de um esquema de empresas fantasmas voltado à sonegação fiscal no estado. As investigações revelaram práticas fraudulentas que incluíam o uso de endereços fictícios, como o de uma penitenciária, para cadastrar empresas de fachada.
Contador é acusado de estruturar fraudes e usar profissão para encobrir crimes
Segundo as apurações, o profissional, que não teve a identidade divulgada, utilizava seu registro para validar fraudes fiscais, criando empresas sem atividade real e emitindo notas fiscais sem lastro. Devido à gravidade dos fatos e à reincidência no uso da profissão para fins criminosos, a Justiça determinou a suspensão do exercício profissional do contador.
O esquema não se limitava a serviços burocráticos; o contador teria dado aparência de legalidade a negócios inexistentes, operando cadastros e mantendo empresas que simulavam atividades, inclusive rurais. As investigações iniciais estimam um prejuízo de mais de R$ 190 mil, mas a polícia alerta que os valores podem chegar a cifras milionárias com o avanço das apurações.
Ligação com operação anterior e medidas judiciais aplicadas
O contador já era investigado na Operação Hortifraude, deflagrada em setembro de 2025, que apurava um esquema no setor de hortifruti com prejuízo de R$ 45 milhões aos cofres públicos. A Operação CNPJ na Cela foi cumprida nos municípios de Rondonópolis, a 218 km de Cuiabá, e Várzea Grande, na região metropolitana da capital.
No total, foram cumpridos 50 mandados judiciais, incluindo:
- Nove de busca e apreensão pessoal e domiciliar
- 21 de suspensão do exercício de atividades econômicas ou financeiras de empresas investigadas
- Quebra de sigilo de dados telemáticos
- Interrupção das atividades das empresas envolvidas
Detalhes do esquema e impacto social
O modus operandi incluía a simulação de atividade rural e o uso de dados pessoais de terceiros para abertura das empresas, muitas vezes de pessoas em situação de vulnerabilidade social ou com ligação com o sistema prisional. Em um caso emblemático, uma empresa tinha como endereço oficial o local de uma penitenciária, evidenciando a audácia do esquema.
As investigações são conduzidas pela Delegacia Especializada em Crimes Fazendários (Defaz), no âmbito do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de Mato Grosso (Cira-MT), reforçando o compromisso das autoridades no combate à fraude fiscal e à lavagem de dinheiro no estado.