Mais de 100 vítimas denunciam esquema de pirâmide que prometia renda extra em Monte Alto (SP)
Esquema de pirâmide promete renda extra e deixa mais de 100 vítimas

Empresa suspeita de pirâmide financeira deixa mais de 100 vítimas em Monte Alto (SP)

A Polícia Civil está investigando a empresa BMB, suspeita de operar um esquema de pirâmide financeira que prometia renda extra com um negócio de avaliação de hotéis e pontos turísticos em Monte Alto, no interior de São Paulo. Mais de 100 pessoas já registraram boletins de ocorrência, alegando prejuízos financeiros após serem atraídas por promessas de ganhos mensais que poderiam chegar a R$ 250 mil.

Promessas enganosas e perdas significativas

Segundo as denúncias, a empresa recrutava novos funcionários oferecendo trabalho e alta remuneração, mas cobrava comissões para entrada no negócio. A auxiliar de produção Safira dos Santos relata ter perdido R$ 2 mil após acreditar em uma mensagem recebida pelo celular, que descrevia a oportunidade como um serviço legítimo para renda extra. "Me mandaram mensagem dizendo que isso daí era um serviço, um trabalho, um dinheiro a mais que a gente poderia fazer. Não falaram de ser ilegal, só falaram que era um trabalho que ia dar renda extra", afirma Safira, que pegou dinheiro emprestado para participar e viu o escritório encerrar as atividades após três meses de funcionamento no Centro da cidade.

Investigações em andamento e alerta das autoridades

O delegado Marcelo Lorenço dos Santos explica que a empresa é investigada por crime contra a economia popular, com foco em como o modelo de negócio insustentável foi estruturado e divulgado. "Estamos investigando como foi que a pessoa que iniciou esse modelo de negócio que não se sustenta, como que ela arregimentou essas pessoas aqui em Monte Alto ou eventualmente outras cidades", destaca o delegado. As investigações podem levar a bloqueios de bens para reparação das vítimas e avaliar se a atuação se estendeu a outros estados.

O cartaz dentro da loja prometia salários exorbitantes, e a empresa se apresentava nas redes sociais como parceira de um grande grupo internacional de viagens, estratégias que, segundo o delegado, são comuns em golpes de pirâmide que se reinventam. "É muito peculiar esse golpe de pirâmide financeira. A pessoa que olha acha que não é. E também algum parente, algum familiar, algum primo, amigos próximos falam 'não, eu estou ganhando dinheiro'. E aí a pessoa vê aquele modelo de negócio acontecendo e acha que vai ganhar", alerta Lorenço.

Tentativas de contato e impacto nas vítimas

A EPTV, afiliada da TV Globo, tentou contato com representantes da empresa BMB, mas não obteve resposta até o último sábado (14). Enquanto isso, as vítimas como Safira enfrentam as consequências financeiras. "Ela me emprestou, eu entrei, fui para uma roleta porque o dinheiro voltava e você ia para a roleta. Aí eu ganhei uma moto nessa roleta, então eu ia devolver o dinheiro para ela e ia ficar com o dinheiro da moto para mim", relata Safira, ilustrando a complexidade e as falsas esperanças geradas pelo esquema.

O caso reforça a importância de cautela com ofertas de renda extra que envolvem pagamentos iniciais, especialmente em um contexto onde golpes financeiros continuam a explorar a confiança de comunidades locais.