Inteligência Artificial revoluciona atendimento médico no Brasil com ganhos de tempo e precisão
IA revoluciona medicina brasileira com agilidade e precisão

Inteligência Artificial revoluciona atendimento médico no Brasil com ganhos de tempo e precisão

No cenário da saúde brasileira, a inteligência artificial vem se consolidando como uma ferramenta fundamental para agilizar diagnósticos e melhorar a qualidade do atendimento aos pacientes. Em São Paulo, o Hospital das Clínicas, reconhecido como um grande complexo de inovação médica no país, está na vanguarda dessa transformação tecnológica.

Análise automatizada de eletrocardiogramas

No Instituto do Coração (InCor), referência nacional em tratamentos cardíacos, o primeiro exame realizado pela maioria dos pacientes é o eletrocardiograma. "Ele fornece uma visão dos sinais elétricos do coração, permitindo identificar diversas alterações de ritmo. É um teste acessível, mas extremamente valioso quando interpretado corretamente", explica José Eduardo Krieger, diretor do Laboratório de Genética e Cardiologia Molecular do InCor.

Atualmente, quem realiza a análise inicial desses exames no instituto é a inteligência artificial. O sistema gera legendas que identificam até 13 tipos diferentes de problemas cardíacos possíveis, tudo sem a intervenção imediata de um médico especialista.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

"É impossível ter um especialista do InCor em cada município brasileiro, mas talvez o conhecimento deles possa alcançar todos os lugares através da tecnologia", reflete Krieger. "O equipamento pode estar em qualquer local, mas a análise pode ser realizada remotamente, com suporte disponível 24 horas por dia. Isso demonstra o potencial de escala dessa transformação."

Agilidade nos laudos radiológicos

No Instituto de Radiologia do mesmo complexo hospitalar, a inteligência artificial também está otimizando processos. Antes, os médicos precisavam consultar múltiplos sistemas e abrir diversas janelas para reunir todas as informações necessárias para emitir um laudo completo.

"Com a IA, esse trabalho manual acabou. Com um único clique, conseguimos acessar todas as informações do paciente e emitir um laudo mais preciso e rápido", afirma Márcio Sawamura, médico e diretor do corpo clínico do InCor. A economia de tempo é significativa: entre 10 e 15 minutos por laudo.

Exames de ressonância mais rápidos

A tecnologia também está acelerando a realização de exames de imagem. Durante uma ressonância magnética, algoritmos de inteligência artificial reduzem a quantidade de dados necessários para formar as imagens, permitindo concluir o procedimento em menos tempo.

"Talvez o aspecto mais importante dessa redução de tempo não seja apenas o conforto do paciente, que permanece menos tempo na máquina, mas a capacidade de realizarmos mais exames por dia", destaca Sawamura. "Temos uma demanda muito grande por exames, e essa eficiência é crucial."

Precisão nas cirurgias cardíacas

Na sala de cirurgia, onde pacientes recebem stents (telas colocadas dentro de artérias cardíacas obstruídas para restaurar o fluxo sanguíneo), a inteligência artificial está revolucionando o planejamento cirúrgico.

"Sem a IA, o médico precisa examinar manualmente toda a artéria, medindo o contorno e o tamanho da placa de gordura para determinar o stent adequado", explica Carlos Campos, cardiologista da Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista do InCor. "Com a IA, essas informações ficam prontas instantaneamente, proporcionando 60% mais agilidade e, ao mesmo tempo, muito mais precisão."

Após a colocação do stent, a inteligência artificial verifica o procedimento realizado, garantindo que a correção dos médicos seja precisa. O objetivo é que essa tecnologia permita que pacientes em diferentes realidades, atendidos por profissionais diversos, alcancem os mesmos resultados de excelência cirúrgica.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Democratização do tratamento

"Essa tecnologia vem para democratizar o tratamento. Ela equaliza os resultados", afirma Alexandre Abizaid, professor e diretor de hemodinâmica e cardiologia intervencionista no InCor. "Os médicos do futuro serão aqueles que aprenderem a utilizar a tecnologia desde o início. E, com os ganhos de eficiência, terão mais tempo para olhar nos olhos do paciente, para compreender sua alma e oferecer o conforto necessário tanto ao paciente quanto à família."

A implementação da inteligência artificial na medicina brasileira representa não apenas um avanço tecnológico, mas uma transformação profunda na forma como os cuidados de saúde são prestados, prometendo maior acesso, agilidade e precisão para pacientes em todo o país.