Jovem português é julgado por incitar ataque a tiros em escola brasileira via redes sociais
Português julgado por incentivar ataque a tiros em escola do Brasil

Julgamento a portas fechadas em Portugal envolve acusações graves contra jovem de 18 anos

Um jovem português de 18 anos iniciou seu julgamento nesta quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026, no Tribunal de Santa Maria da Feira, localizado no distrito de Aveiro, no norte de Portugal. O processo está sendo conduzido a portas fechadas e sob sigilo judicial, conforme determinação das autoridades portuguesas. O réu, que residia na região até sua prisão preventiva em maio de 2024, enfrenta uma série de acusações criminais de extrema gravidade.

Acusações incluem incitação à violência e crimes contra a infância

O Ministério Público português apresentou uma extensa lista de acusações contra o jovem, que inclui:

  • Provocação pública para a prática de crime
  • Incitação ao ódio e à violência
  • Associação criminosa
  • Mais de 200 crimes relacionados à pornografia infantil

As investigações revelaram que o acusado, conhecido online pelo pseudônimo "Mikazz", comandava um grupo na plataforma Discord dedicado à prática e divulgação de atos de extrema violência contra pessoas e animais. Segundo a inspetora da Polícia Judiciária responsável pelo caso, Ana Rita Alves, o jovem mantinha "uma vida paralela no ambiente digital" onde atuava como líder desta comunidade criminosa.

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Conexão com ataque a tiros em escola brasileira

O caso ganhou dimensão internacional devido à conexão com um trágico episódio ocorrido no Brasil. Em outubro de 2023, um estudante brasileiro de 16 anos abriu fogo contra colegas em uma escola do interior de São Paulo, resultando na morte de uma aluna de 17 anos e ferimentos em outros três estudantes.

As investigações apontam que o acusado português teria incentivado este ataque através das redes sociais, motivando o adolescente brasileiro a cometer o crime. Além deste episódio, as autoridades brasileiras afirmam ter impedido, na mesma época, pelo menos outros três planos de atentado articulados por adolescentes entre 12 e 14 anos, todos supostamente influenciados pelas atividades do grupo online.

Andamento do processo judicial

Na primeira audiência do julgamento, o réu optou por exercer seu direito ao silêncio, não se manifestando sobre as acusações. Seu advogado, Carlos Duarte, afirmou à agência Lusa que o jovem "não é um monstro" e negou que ele exercesse qualquer liderança sobre o grupo investigado.

O julgamento deve prosseguir nos próximos dias com a oitiva de testemunhas e a apresentação das provas reunidas ao longo da investigação conduzida pelas autoridades portuguesas. As evidências incluem registros de crimes compartilhados em ambientes virtuais fechados pelos integrantes do grupo.

Este caso destaca os desafios transnacionais no combate ao crime digital e à radicalização online, especialmente quando envolve jovens em diferentes países. A cooperação entre as autoridades portuguesas e brasileiras tem sido fundamental para desarticular esta rede criminosa que operava através das plataformas digitais.

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