Polícia Civil de SP prende 13 integrantes de quadrilha de golpes digitais e bloqueia contas com R$ 100 milhões
Polícia de SP prende 13 de quadrilha de golpes digitais

Operação desmantela quadrilha de golpes digitais que movimentou mais de R$ 100 milhões em São Paulo

Uma ação conjunta da Polícia Civil de São Paulo e do Ministério Público estadual resultou na prisão de 13 suspeitos nesta terça-feira (24), acusados de integrar uma organização criminosa especializada em golpes digitais aplicados por meio de celulares. O esquema, segundo as investigações, pode ter movimentado valores superiores a R$ 100 milhões, com fraudes sofisticadas que enganavam vítimas em todo o país.

Golpistas se passavam por funcionários do INSS para acessar dados bancários

Os criminosos atuavam com um método elaborado, no qual se faziam passar por funcionários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em vídeos apreendidos pela polícia, é possível observar um golpista instruindo uma vítima em tempo real: “Aperte ‘instalar’ agora. Agora está iniciando a instalação do aplicativo do INSS do senhor”. A falsa alegação de uma atualização cadastral convencia as pessoas a instalarem um programa malicioso em seus dispositivos móveis.

Uma vez instalado, o aplicativo concedia acesso remoto completo ao aparelho da vítima, permitindo que os criminosos roubassem senhas e acessassem contas de aplicativos bancários em questão de segundos. Essa técnica permitiu que a quadrilha desviasse grandes quantias de forma rápida e eficiente.

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Líder foragido e esquema milionário com empresas de fachada

Entre os principais investigados está João Vitor Guido, conhecido artisticamente como MC Negão Original. Segundo o Ministério Público, ele utilizava empresas de fachada para movimentar aproximadamente R$ 20 milhões em apenas um ano. Além dos golpes digitais, o músico também estaria envolvido em fraudes com apostas virtuais clandestinas.

O delegado Fernando Santiago, responsável pelas investigações, explicou: “Ele atuava por meio de uma bet clandestina, induzindo seus fãs e seguidores em redes sociais a jogarem. Era desenvolvida apenas para que a banca ganhasse”. A polícia realizou buscas no condomínio onde João Vitor reside, em Arujá, na Grande São Paulo, mas ele não foi localizado e agora é considerado foragido.

Estrutura operacional em apartamentos de luxo e rede de “laranjas”

As investigações revelaram que as centrais de golpes funcionavam dentro de apartamentos de alto padrão localizados na Zona Leste de São Paulo. O dinheiro ilícito obtido das vítimas era inicialmente direcionado para uma fintech, uma empresa de tecnologia de serviços financeiros, e posteriormente distribuído para dezenas de contas controladas por “laranjas”.

Um dos suspeitos presos, que se declarava mecânico, circulava com um carro esportivo avaliado em R$ 3 milhões, evidenciando o alto padrão de vida financiado pelas atividades criminosas. A operação policial cumpriu 120 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal, demonstrando a abrangência nacional do esquema.

Medidas judiciais e esforços para recuperação de valores

A Justiça determinou o bloqueio de bens pertencentes a 59 pessoas físicas e 27 empresas vinculadas à quadrilha. As autoridades agora concentram esforços em rastrear e recuperar o dinheiro desviado das vítimas, um processo complexo devido à sofisticação dos métodos utilizados pelos criminosos.

Esta operação marca um avanço significativo no combate aos crimes digitais em São Paulo, destacando a importância da colaboração entre polícia e Ministério Público para desarticular organizações criminosas que exploram a tecnologia para fraudes em larga escala.

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