Operação Mil Faces desarticula esquema criminoso que usava IA para fraudes em sistemas biométricos
A Polícia Civil realizou nesta terça-feira (14) a Operação Mil Faces, que resultou na prisão de duas pessoas suspeitas de integrar um grupo criminoso especializado em invasões de dispositivos informáticos e furtos eletrônicos em larga escala. Os mandados foram cumpridos em Poxoréu, em Mato Grosso, e na região metropolitana de Vitória, no Espírito Santo, com apoio de diversas delegacias especializadas.
Investigação revela uso de inteligência artificial para burlar sistemas de segurança
As investigações, conduzidas pela Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI), começaram após uma empresa de telefonia identificar anomalias em seus sistemas de segurança. A apuração interna revelou a existência de um esquema criminoso sofisticado que utilizava ferramentas de inteligência artificial generativa para criar biometrias faciais falsas, conhecidas como deepfakes.
Com essas imagens fraudulentas, os suspeitos conseguiam passar pelos sistemas de reconhecimento facial da empresa. Após validar as identidades falsas, os criminosos realizavam a troca indevida de chip telefônico (SIM swap), assumindo o controle das linhas das vítimas e, consequentemente, acessando serviços financeiros e contas vinculadas aos números de telefone.
Treze ordens judiciais cumpridas em operação conjunta
Além das duas prisões, a operação cumpriu cinco mandados de busca e apreensão, três de sequestro de bens e valores e três de afastamento de sigilo telemático. As decisões foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias – Polo Cuiabá, demonstrando a complexidade jurídica do caso.
O grupo é investigado por:
- Associação criminosa
- Invasão de dispositivo informático qualificada
- Falsidade ideológica
- Furto qualificado mediante fraude eletrônica
Somadas, as penas pelos crimes podem chegar a 19 anos de prisão, evidenciando a gravidade das ações criminosas.
Centenas de vítimas em todo o país e colaboração inter estadual
De acordo com as investigações, além dos prejuízos causados à empresa de telefonia, centenas de consumidores em todo o país foram afetados pelo esquema criminoso. As vítimas sofreram perdas financeiras significativas, incluindo transferências indevidas e compras não autorizadas realizadas após os criminosos assumirem o controle de suas linhas telefônicas.
A operação contou com apoio da Coordenadoria de Enfrentamento ao Crime Organizado (Cecor), da Delegacia Regional de Primavera do Leste e da Delegacia de Polícia de Poxoréu. Também houve colaboração da Polícia Civil do Espírito Santo, responsável pelo cumprimento de um mandado de prisão e de buscas contra um investigado em Cariacica, na região metropolitana de Vitória.
Mil Faces: referência às centenas de identidades fraudulentas criadas
O nome Mil Faces foi escolhido para a operação em referência à forma de atuação do grupo criminoso. Segundo a polícia, os investigados teriam criado centenas de imagens fraudulentas para enganar os sistemas de segurança biométrica, demonstrando a escala e a sofisticação do esquema criminoso.
A operação representa um marco no combate a crimes cibernéticos no Brasil, especialmente aqueles que utilizam tecnologias avançadas como inteligência artificial para burlar sistemas de segurança. As autoridades destacam a importância da colaboração inter estadual e do uso de ferramentas jurídicas especializadas para enfrentar esse tipo de criminalidade cada vez mais complexa.



