Meta adota postura enérgica com ações judiciais contra fraudadores digitais em três países
A Meta, empresa controladora de plataformas como Facebook e Instagram, deu um passo significativo no combate ao crime digital ao entrar com ações judiciais contra fraudadores no Brasil, China e Vietnã. As ações, protocoladas na última quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026, representam uma mudança estratégica importante: além da tradicional remoção de conteúdos e desativação de contas, a empresa agora busca a responsabilização civil direta dos envolvidos em esquemas fraudulentos.
Golpes sofisticados com deepfakes e técnicas de engano
Os processos judiciais têm como alvo anunciantes que utilizaram métodos avançados de fraude, incluindo:
- Celeb-bait: Uso indevido de imagens e vozes de personalidades famosas
- Deepfakes: Manipulação digital de aparência e voz de figuras públicas
- Cloaking: Técnica que exibe conteúdo diferente para sistemas de revisão e usuários finais
Essas táticas foram empregadas para aplicar golpes financeiros e vender produtos irregulares nas plataformas da Meta, causando prejuízos significativos aos consumidores.
Casos específicos no Brasil: central de golpes em Copacabana
No território brasileiro, as ações judiciais têm como alvo principal Vitor Lourenço de Souza, suspeito de comandar uma central de golpes localizada em Copacabana, no Rio de Janeiro, e Milena Luciani Sanchez. Ambos são acusados de utilizar imagens e vozes manipuladas de celebridades para promover supostos produtos de saúde sem qualquer comprovação científica ou regulatória.
Também estão incluídos nos processos:
- B&B Suplementos e Cosméticos Ltda. (Brites Corp)
- Brites Academia de Treinamento Ltda.
- Daniel de Brites Macieira Cordeiro
- José Victor de Brites Chaves de Araujo
Estes indivíduos e empresas são apontados como integrantes de uma operação que utilizava deepfakes de um médico conhecido para vender produtos sem aprovação da Anvisa, além de oferecer cursos que ensinavam a replicar o esquema fraudulento.
Ações internacionais: China e Vietnã na mira
A estratégia judicial da Meta tem alcance global. Na China, a empresa processa a Shenzhen Yunzheng Technology, acusada de usar anúncios com celeb-bait para atrair vítimas nos Estados Unidos e no Japão para falsos grupos de investimento.
Já no Vietnã, a ação é contra Ly Van Lam, que empregava técnicas de cloaking para enganar consumidores. Neste esquema, os usuários eram induzidos a fornecer dados de cartão de crédito para comprar produtos de marcas conhecidas com descontos irreais que nunca eram entregues, além de sofrerem cobranças recorrentes não autorizadas — prática conhecida como fraude de assinatura.
Medidas técnicas complementares e investimento em IA
Além das ações judiciais, a Meta implementou uma série de medidas técnicas para combater as fraudes:
- Suspensão de meios de pagamento associados às contas fraudulentas
- Bloqueio de domínios utilizados nos esquemas
- Desativação em massa de contas envolvidas
- Compartilhamento de informações com parceiros do setor
A companhia também revelou ter investido significativamente em ferramentas de inteligência artificial capazes de detectar automaticamente práticas de cloaking e acelerar a remoção de anúncios suspeitos, demonstrando um compromisso tecnológico com a segurança dos usuários.
Notificações extrajudiciais e sinalização de ampliação
A ofensiva da Meta inclui ainda notificações extrajudiciais contra oito consultores de marketing acusados de oferecer serviços especializados para burlar sistemas de moderação das plataformas. Entre esses serviços estariam o "desbanimento" de contas suspensas e o aluguel de perfis considerados confiáveis pelo sistema.
A empresa deixou claro que poderá ampliar as medidas legais caso as práticas fraudulentas persistam, indicando que a responsabilização direta dos fraudadores passou a ser uma prioridade estratégica na proteção de seu ecossistema digital. Esta postura representa uma evolução significativa na abordagem das grandes plataformas de tecnologia contra o crime digital, saindo da simples moderação de conteúdo para uma atuação jurídica mais assertiva.



