Polícia investiga influencer por usar IA para sexualizar jovens evangélicas em igrejas
Influencer usa IA para sexualizar jovens em igrejas, diz polícia

Polícia Civil de São Paulo investiga influencer por uso de inteligência artificial para sexualizar jovens evangélicas

A Polícia Civil de São Paulo está investigando o influenciador digital Jefferson de Souza, de 37 anos, por suspeita de utilizar inteligência artificial para manipular e sexualizar imagens de jovens evangélicas em igrejas da Congregação Cristã do Brasil (CCB). O caso, que começou a ser apurado em fevereiro pela 8ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) em São Mateus, na Zona Leste da capital paulista, envolve pelo menos uma adolescente de 16 anos e outras mulheres que tiveram suas fotografias alteradas sem autorização.

Influencer admite uso de deepfake para gerar engajamento nas redes sociais

Jefferson de Souza, que se apresenta como "Silvio Souza" em referência ao apresentador Silvio Santos, mantém canais no TikTok, YouTube e Instagram, somando quase 50 mil seguidores. Em vídeos publicados, ele criticava as roupas usadas por fiéis nos cultos, afirmando que "marcam o corpo", e posteriormente admitiu à polícia que utiliza fotografias das jovens como base para criar conteúdos com deepfake. Essa técnica de inteligência artificial permite a criação ou alteração realista de imagens, vídeos ou áudios, simulando situações que nunca ocorreram.

O influenciador explicou em gravações que pega fotos postadas pelas "irmãs" de costa dentro das igrejas e as anima com IA, fazendo-as dançar. Ele defendeu o conteúdo como humorístico, com o objetivo de gerar engajamento e ganhar seguidores, mas negou as acusações em depoimento policial. Recentemente, Jefferson pediu desculpas publicamente em um vídeo no domingo de Páscoa, mas não mencionou os deepfakes envolvendo adolescentes.

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Vítimas relatam constrangimento e buscam remoção de conteúdos ilegais

Entre as vítimas está uma estudante adolescente que, acompanhada pelos pais, registrou queixa na delegacia após descobrir que sua imagem foi manipulada para aparecer em um vídeo ao lado de outras mulheres sensualizando. "Ele pegou a minha foto sem autorização e fez uma montagem com inteligência artificial, com as mulheres sensualizando na frente e [comigo] junto a elas", relatou a jovem, que expressou constrangimento e medo de afetar seu convívio social.

Outra jovem evangélica afirmou ter feito várias denúncias contra as contas do influenciador e entrado com processo para proteger sua imagem. A delegada Juliana Raite Menezes, responsável pelo caso, destacou que a internet não é uma terra sem lei e que as proteções do mundo real também se aplicam no ambiente virtual.

Especialistas alertam para crescimento de casos de violência digital com IA

Especialistas ouvidos pela reportagem enfatizam que o uso de inteligência artificial não reduz a responsabilidade de quem cria ou divulga material ofensivo. Laura Hauser, pesquisadora da PUC-SP, afirmou que o foco deve ser no comportamento do predador, não das vítimas. Juliana Cunha, diretora da SaferNet, alertou que casos como este tendem a crescer com o avanço tecnológico e ressaltou a importância de dados para influenciar mudanças em políticas públicas.

O caso é investigado sob suspeita de simulação de cena de sexo ou pornografia com menor de 18 anos por meio digital, conforme o artigo 241-C do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), com pena que varia de 1 a 3 anos de reclusão, além de multa. A polícia também apura possíveis crimes de difamação contra outras jovens expostas.

Plataformas digitais e instituições se posicionam sobre o caso

As plataformas digitais envolvidas tomaram medidas em relação ao conteúdo. O TikTok informou adotar tolerância zero para exploração sexual infantil e remover materiais desse tipo, enquanto o YouTube retirou vídeos que violavam suas diretrizes. A Meta, responsável por Instagram e Facebook, não se manifestou. A Congregação Cristã do Brasil emitiu nota apoiando medidas legais cabíveis, mas destacou que não possui registro formal de membros. O SBT, cujo logotipo foi usado em paródias por Jefferson, não respondeu aos questionamentos.

A polícia continua tentando identificar e localizar mais vítimas, reforçando a necessidade de conscientização sobre os riscos do deepfake e a proteção de dados pessoais no ambiente digital.

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