Golpe do falso emprego no Rio: vítimas relatam extorsão e ameaças com canivete
Golpe do falso emprego: extorsão e violência no Rio

Golpe do falso emprego no Rio: vítimas relatam extorsão e ameaças com canivete

Um novo e perigoso golpe está sendo aplicado contra pessoas desempregadas no Rio de Janeiro, onde criminosos se passam por recrutadores de empresas de recursos humanos para cometer extorsão e atos de violência. As vítimas são atraídas por falsas promessas de emprego, chamadas para entrevistas presenciais e, ao chegarem aos locais combinados, são pressionadas a pagar taxas para participar de supostos processos seletivos.

Engenheira civil é ameaçada com canivete durante falsa entrevista

Jenifer Brandão, engenheira civil desempregada desde novembro do ano passado, recebeu em janeiro uma ligação de uma mulher que se identificou como Vanessa, de uma empresa de RH. A suposta recrutadora ofereceu uma vaga para engenheira de custos com salário atrativo, intermediada por uma empresa chamada Fasano Gestão Profissional – que não possui relação com a rede de hotéis Fasano e não foi encontrada em sites de busca ou redes sociais.

A entrevista foi marcada em uma sala comercial no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio. Jenifer foi recebida por um homem que se apresentou como Marcelo Alves, que detalhou uma vaga em uma grande construtora com benefícios e salário elevado. Em seguida, ele mencionou valores de contratos entre R$ 3 mil e R$ 4 mil, puxou uma maquininha de cartão e exigiu pagamento.

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Quando Jenifer se recusou a pagar e tentou sair, o homem a puxou de volta para a cadeira, levantou a camisa e mostrou um canivete. Sem ter todo o dinheiro exigido, ela fez um PIX de R$ 1 mil e só foi liberada após mais de três horas. Ao procurar ajuda na administração do condomínio, ouviu que nada poderia ser feito porque o local era de aluguel livre.

E-mail de "boas-vindas" após o crime e investigação policial

Mesmo após o episódio traumático, Jenifer recebeu um e-mail de "boas-vindas" da suposta empresa, desejando sorte no processo seletivo. Ao tentar novo contato, percebeu que havia sido bloqueada. A vítima registrou boletim de ocorrência, e o delegado Alan Luxardo, responsável pela investigação, afirmou que o caso começou como estelionato e evoluiu para extorsão.

Diversos relatos semelhantes foram encontrados na internet alertando sobre a mesma empresa falsa. A Polícia Civil investiga os crimes e reforça o alerta sobre os riscos dessa abordagem criminosa.

Golpe também atinge plataformas de emprego online

Karina Novaes, profissional das áreas de recursos humanos e biomedicina que está há um ano e meio em busca de emprego, cadastrou seu currículo no site InfoJobs. Dois dias depois, recebeu uma mensagem pela plataforma informando que seu currículo havia sido selecionado.

Após receber detalhes sobre salário e funções, notou uma linguagem muito informal e urgência na comunicação. O suposto recrutador então solicitou um PIX de R$ 424 para confirmar a vaga. Karina percebeu o golpe, bloqueou o contato e a vaga foi rapidamente removida do site. Ela também registrou boletim de ocorrência e denunciou o caso à plataforma.

Impactos emocionais e financeiros nas vítimas

Além do prejuízo financeiro, as vítimas relatam profundos impactos emocionais. Jenifer Brandão resumiu a situação: "A gente não imagina que vai existir tanta criatividade pra se aproveitar de um momento tão vulnerável". Karina Novaes desabafou sobre a sensação de incapacidade: "A gente sente que não tem capacidade, se sente incapaz, mesmo com uma formação, a gente se sente totalmente lesado".

As profissionais destacam a importância de desconfiar de abordagens inesperadas e verificar a idoneidade das empresas antes de qualquer pagamento.

Posicionamento das empresas citadas

A reportagem tentou contato com o Américas Avenue Business Square, onde ocorreu uma das entrevistas, mas não obteve retorno. O InfoJobs também foi acionado, mas não respondeu até a publicação desta matéria.

O Grupo Fasano, em contato com a reportagem, informou que não possui qualquer relação com a empresa citada pelas vítimas e ressaltou que não cobra pagamentos relacionados a processos seletivos em nenhuma hipótese. A empresa alertou que mensagens que solicitem valores utilizando seu nome são falsas.

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As autoridades continuam investigando os casos e recomendam que desempregados redobrem a atenção com ofertas de emprego que envolvam pagamentos antecipados.