Polícia Civil do DF desmantela esquema de golpes com 'falsos advogados'
A Polícia Civil do Distrito Federal está empenhada em uma investigação profunda que mira dois grupos criminosos suspeitos de aplicar o conhecido golpe do 'falso advogado'. Na manhã desta terça-feira (3), agentes policiais executaram uma operação de grande porte, cumprindo cinco mandados de prisão e dez mandados de busca e apreensão na zona leste de São Paulo, um esforço conjunto para desarticular essa rede fraudulenta.
Como funcionava o golpe
Segundo as investigações conduzidas pela polícia, as vítimas, incluindo dois moradores de Taguatinga, no Distrito Federal, foram abordadas por indivíduos que se passavam por advogados. Esses criminosos entravam em contato com as pessoas, alegando ter acesso a processos judiciais em andamento e oferecendo serviços de 'liberação de valores' relacionados a esses casos.
Para dar credibilidade à sua farsa, os suspeitos cobravam uma taxa inicial, que variava entre R$ 30 mil e R$ 50 mil, conforme transferências bancárias realizadas pelas vítimas. A estratégia envolvia uma conversa persuasiva, muitas vezes documentada em mensagens, como evidenciado por registros da Polícia Civil.
Mecanismo de autenticidade do crime
Os policiais descobriram que o grupo criminoso possuía acesso não autorizado a senhas de advogados legítimos, permitindo-lhes consultar sistemas do Tribunal de Justiça do DF e da Justiça Federal. Esse acesso ilegal era utilizado para verificar detalhes dos processos das vítimas, dando uma aparência de legitimidade aos golpes e facilitando a enganação.
Inicialmente, a Polícia Civil aponta que os suspeitos obtinham essas informações sensíveis por meio de senhas vazadas na internet, explorando brechas de segurança digital para cometer seus crimes. Essa prática revela uma sofisticação tecnológica no modus operandi, que combinava engenharia social com invasão de sistemas judiciais.
Consequências legais para os envolvidos
Os autores desses golpes devem responder por uma série de crimes graves, incluindo:
- Estelionato, especificamente na modalidade de fraude eletrônica, devido ao uso de meios digitais para aplicar o golpe.
- Lavagem de capitais, relacionada ao ocultamento e movimentação dos valores ilicitamente obtidos.
- Organização criminosa, dado o caráter estruturado e coletivo das atividades ilegais.
O caso está sob a responsabilidade da 17ª Delegacia de Polícia, que continua suas investigações para identificar possíveis outros envolvidos e recuperar os valores desviados. A operação em São Paulo marca um passo significativo no combate a esse tipo de crime, que afeta a confiança no sistema jurídico e causa prejuízos financeiros substanciais às vítimas.



