Operação policial mira esquema de fraudes com mandados de prisão falsos no sistema do CNJ
Uma operação conjunta das polícias civis de Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal está combatendo um sofisticado esquema criminoso que fraudava sistemas da Justiça brasileira. O foco principal é a inserção ilegal de mandados de prisão falsos nos bancos de dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), utilizando credenciais de acesso roubadas de servidores públicos.
Buscas e apreensões em múltiplos estados
Nesta quinta-feira (5), as autoridades realizaram diligências em Goiás e no Distrito Federal como parte das investigações. Os investigadores têm como alvo o acesso indevido às credenciais de um policial penal mineiro, cujos logins foram utilizados para movimentar nada menos que 92 processos no sistema do CNJ. Entre os suspeitos identificados está um adolescente de apenas 15 anos, que supostamente integrava a organização criminosa.
A operação contou com a participação coordenada da Polícia Civil de Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal, além do apoio crucial do Núcleo de Inteligência dos Tribunais de Justiça de Minas Gerais (TJMG), Goiás (TJGO) e Santa Catarina (TJSC). Até o momento, não houve prisões durante as diligências realizadas, mas as investigações seguem em andamento.
Modus operandi dos criminosos
De acordo com as investigações da Polícia Civil, os criminosos operavam através de um método bem estruturado:
- Uso irregular de credenciais: Os fraudadores obtinham acesso aos sistemas judiciais utilizando logins e senhas de servidores públicos, especialmente juízes que possuem permissões privilegiadas.
- Manipulação de bancos de dados: Com essas credenciais roubadas, conseguiam simular decisões judiciais oficiais e alterar dados sensíveis de processos em andamento.
- Fraudes específicas: As principais ações criminosas investigadas incluem a liberação irregular de presos através de alvarás de soltura fraudulentos, alteração de dados de mandados de prisão, desbloqueio de valores retidos pela Justiça e liberação de veículos apreendidos.
Ainda não está completamente esclarecido como esses dados de acesso chegaram às mãos dos criminosos, mas as investigações apontam para um esquema organizado que explorava vulnerabilidades no sistema de credenciamento.
Casos emblemáticos de fraude
Nos últimos meses, o banco de dados do CNJ foi manipulado em várias ocasiões, com casos que chamaram atenção nacional:
Tentativa contra autoridades
Em um dos episódios mais graves, houve tentativa de expedir ordens falsas para prender o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Segundo o CNJ, ocorreu uma "substituição indevida de dados vinculados a um mandado judicial por dados associados a autoridades brasileiras". O órgão nega que tenha havido invasão do sistema, atribuindo o incidente ao roubo de credenciais, e afirma que os dados foram devidamente corrigidos após identificação.
Fugas de presídios
Em dezembro de 2025, criminosos conseguiram expedir alvarás de soltura fraudados que permitiram que quatro detentos do Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) Gameleira, em Belo Horizonte, fugissem literalmente pela porta da frente da prisão. O CNJ novamente negou qualquer invasão ou falha estrutural, atribuindo o caso ao uso fraudulento de credenciais obtidas de forma ilícita.
A "Dama do Crime"
Em janeiro deste ano, Anne Cristina Casaes, conhecida como "Dama do Crime", foi presa em Armação dos Búzios, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. Ela havia passado meses foragida da Justiça devido a uma fraude no sistema do CNJ que a registrava como presa enquanto estava em liberdade. Segundo a Agência Central de Inteligência (AGCI) de Minas Gerais, o registro indevido só foi possível com o uso irregular de credenciais funcionais de um servidor do sistema prisional mineiro.
Implicações e investigações em curso
As investigações revelam que os criminosos também utilizaram credenciais de servidores dos tribunais de Justiça de Minas Gerais e Goiás, demonstrando a abrangência do esquema. O caso expõe vulnerabilidades significativas nos sistemas judiciais brasileiros e levanta questões importantes sobre a segurança digital nas instituições públicas.
O governo do estado de Minas Gerais ainda não forneceu detalhes sobre como os acessos foram obtidos indevidamente, mas as autoridades continuam trabalhando para desmantelar completamente a organização criminosa e identificar todos os envolvidos. A operação representa um esforço significativo para combater fraudes digitais que comprometem a integridade do sistema judicial brasileiro.



