Justiça obriga deputado do PT a se retratar por foto falsa de Bolsonaro gerada por IA
Deputado do PT se retrata por foto falsa de Bolsonaro via IA

Justiça determina retratação de deputado do PT por imagem falsa de Bolsonaro gerada por IA

A Justiça do Distrito Federal atendeu a um pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro e ordenou que o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) se manifestasse publicamente após publicar uma fotografia falsa, criada por inteligência artificial, que simulava um encontro inexistente entre Bolsonaro, o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

Imagem falsa circulou sem identificação de IA

A montagem digital, que apresentava um grau considerável de realismo, foi publicada por Correia em sua conta no X, antigo Twitter, no dia 1º de fevereiro de 2026. A postagem, que não continha etiquetas indicando o uso de inteligência artificial, foi acompanhada da legenda "O retrato da roubalheira do Banco Master". Antes de ser excluída no dia seguinte, a imagem falsa foi compartilhada mais de 700 vezes e visualizada por mais de 41.000 usuários da plataforma.

Embora o deputado tenha removido a publicação voluntariamente, os advogados de Bolsonaro moveram uma ação judicial alegando violação da honra e da imagem do ex-presidente. A juíza Patricia Vasques Coelho, da 7ª Vara Cível de Brasília, concedeu uma decisão liminar favorável à defesa, determinando que Correia se retratasse nas redes sociais.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Decisão judicial enfatiza combate à desinformação

Em sua decisão, a magistrada destacou que "é dever do Judiciário interromper o ciclo de desinformação construído sobre base comprovadamente falaciosa, não esbarrando, neste ponto, em qualquer possível violação à liberdade de expressão". A sentença também obrigou a plataforma X a preservar o conteúdo original do tuíte, incluindo metadados sobre compartilhamentos e visualizações.

Na terça-feira, 17 de fevereiro, Rogério Correia cumpriu a determinação judicial e publicou uma nota de esclarecimento em seus perfis oficiais. "Esclareço que o encontro retratado na referida imagem não ocorreu, tratando-se de montagem digital gerada por IA, a partir de conteúdos que circulavam amplamente nas redes sociais", escreveu o parlamentar.

Consequências legais e debate sobre uso de IA

Este caso ilustra as crescentes preocupações jurídicas em torno do uso de inteligência artificial para criar conteúdo enganoso nas redes sociais. A ação judicial movida por Bolsonaro estabelece um precedente importante sobre a responsabilidade de figuras públicas ao compartilhar material gerado por IA sem a devida identificação.

As implicações desta decisão incluem:

  • Obrigação de retratação pública quando conteúdo falso é disseminado
  • Preservação de evidências digitais pelas plataformas de mídia social
  • Reconhecimento judicial de que a desinformação baseada em IA pode violar direitos de imagem e honra
  • Estabelecimento de parâmetros para equilibrar liberdade de expressão e combate à falsificação digital

O episódio reforça a necessidade de maior transparência no uso de tecnologias de geração de imagens e a importância de mecanismos legais para combater a disseminação de conteúdo fraudulento no ambiente digital brasileiro.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar