Casal de Londrina é preso por exploração de pessoas em vulnerabilidade em esquema milionário
A Polícia Civil do Paraná (PC-PR) prendeu, nesta terça-feira (3), um casal suspeito de liderar uma organização criminosa especializada em fraudes bancárias. A dupla, residente em Londrina, no norte do estado, é acusada de utilizar dados de pessoas em situação de rua para abrir contas e solicitar empréstimos de forma ilegal.
Esquema criminoso e vida de ostentação
De acordo com o delegado Edgard Soriani, responsável pela investigação, o casal mantinha uma vida de alto padrão, incompatível com suas atividades declaradas. Entre os bens apreendidos durante a operação estão uma moto aquática e valores em espécie, além de uma casa em Sertaneja avaliada em aproximadamente R$ 5 milhões.
"Os principais líderes dessa organização criminosa levam uma vida de ostentação, com patrimônio incompatível com as suas identidades", afirmou o delegado.
Modus operandi da fraude
A investigação, que teve início em 2023, apurou que o esquema começou a ser aplicado entre 2020 e 2021. Estima-se que mais de 100 pessoas em situação de rua tiveram seus dados pessoais utilizados indevidamente. Além dessas vítimas, indivíduos de outros estados, que não estão em vulnerabilidade social, também foram alvo do golpe.
O casal possui dois estabelecimentos comerciais em Londrina: uma loja de produtos eletrônicos e outra de motos. Segundo a polícia, esses locais eram usados para lavar o dinheiro obtido ilegalmente.
Funcionários do grupo se dirigiam a pontos da cidade frequentados por pessoas em situação de rua e usuários de drogas, onde ofereciam quantias em dinheiro em troca dos dados pessoais das vítimas. Em seguida, as levavam até a loja do casal, onde eram abertas contas bancárias, tanto físicas quanto jurídicas.
"Usam o mesmo comprovante de residência, que inclusive é da residência do casal, para abrir várias contas bancárias nos nomes dessas pessoas e poder aplicar fraudes", explicou o delegado Soriani.
Operação policial e descoberta do esquema
A operação desta terça-feira resultou no cumprimento de nove mandados de busca e apreensão e cinco de prisão. A ação foi desencadeada após um banco do estado de São Paulo, ciente da investigação, identificar movimentações suspeitas em cinco contas.
As vítimas relacionadas a essas contas foram localizadas e autorizaram a quebra do sigilo bancário. Elas não possuem qualquer relação com os investigados, não estão em situação de rua e desconheciam que seus dados haviam sido usados de forma fraudulenta.
A partir dessas informações, a polícia identificou o casal e três funcionários, responsáveis por movimentar as contas e realizar saques. O prejuízo estimado até o momento é de R$ 150 mil, mas o delegado acredita que o valor total possa ser "milionário".
Dificuldades na investigação e crimes imputados
Uma das principais dificuldades enfrentadas pela polícia foi localizar as vítimas em situação de rua, que não possuem endereço fixo. A investigação continua para apurar a extensão total do esquema.
Os cinco investigados – o casal e três funcionários – respondem pelos crimes de:
- Organização criminosa
- Lavagem de dinheiro
- Falsificação de documento
- Uso de documento falso
- Falsidade ideológica
Os nomes dos envolvidos não foram divulgados pela polícia, e o resultado final das apreensões ainda não foi divulgado. A operação marca um importante passo no combate a crimes financeiros que exploram a vulnerabilidade social no Paraná.



