Abuso infantil na web volta a crescer no Brasil e atinge a 2ª pior marca em vinte anos
Segundo a ONG SaferNet Brasil, o uso de inteligência artificial para gerar deepfakes de menores impulsionou a alta de casos em 2025. As denúncias de abuso sexual infantil na internet cresceram no ano passado, alcançando a segunda pior marca em duas décadas, conforme relatório divulgado nesta terça-feira, 10 de fevereiro de 2026.
Dados alarmantes e tendência histórica
Após registrar uma queda em 2024, as denúncias voltaram a subir e superaram a marca de 63.000 casos em 2025. A SaferNet Brasil, responsável por receber e direcionar as ocorrências às autoridades, aponta que este volume é o segundo maior da série histórica iniciada em 2006. O recorde absoluto foi registrado em 2023, quando a organização recebeu quase 72.000 denúncias de links distintos com conteúdo sexual envolvendo crianças e adolescentes.
O relatório destaca outros dois momentos de escalada drástica nas últimas duas décadas:
- Entre 2007 e 2008, com a rápida popularização da rede social Orkut e a expansão comercial da internet banda larga no país.
- Em 2020 e 2021, durante a pandemia da Covid-19, quando o isolamento social aumentou o número de dispositivos conectados e o tempo gasto em telas.
Impacto da inteligência artificial e casos recentes
A nova explosão de ocorrências está diretamente relacionada ao avanço da inteligência artificial. A proliferação de ferramentas que permitem gerar deepfakes – imagens falsas de menores em contextos eróticos ou pornográficos – tem sido um fator crucial para o aumento dos casos. Essa tecnologia facilita a criação e disseminação de conteúdo abusivo, dificultando a identificação e combate a essas práticas criminosas.
Os dados da SaferNet Brasil foram divulgados em um contexto de casos recentes que chamam a atenção:
- Um dia antes, Sérgio Antônio Lopes, piloto da Latam de 60 anos, foi preso em São Paulo por abusar de crianças e adolescentes e gravar vídeos para divulgação online. A polícia investiga que ele compartilhava o material em grupos de WhatsApp, oferecendo pagamentos entre 50 e 100 reais a familiares das vítimas por cada gravação.
- Na mesma terça-feira, a Justiça da Paraíba deve julgar um novo pedido de habeas corpus do influenciador digital Hytalo Ferreira, preso desde agosto sob denúncias de sexualização de menores em seus vídeos. Seu marido, Israel Vicente, também foi detido por cumplicidade nas práticas de abuso.
Esses episódios reforçam a urgência de medidas mais eficazes para proteger crianças e adolescentes no ambiente digital, especialmente diante do uso crescente de tecnologias como a IA para fins criminosos.



