MPRN recomenda suspensão de captura de gatos com tutores em condomínio de Mossoró após denúncias
MP recomenda suspensão de captura de gatos com dono em Mossoró

MPRN determina suspensão imediata de captura de gatos com tutores em condomínio potiguar

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) emitiu uma recomendação urgente para a suspensão imediata da captura de gatos domésticos que possuem tutores identificados em um condomínio residencial localizado em Mossoró, na região Oeste do estado. A medida emergencial resulta de um inquérito civil instaurado para apurar denúncias graves de maus-tratos contra animais, após a contratação de uma empresa especializada em manejo populacional de felinos.

Investigação aponta desvios contratuais e violação de protocolos

Segundo as investigações conduzidas pela 3ª Promotoria de Justiça de Mossoró, o programa de controle populacional executado pela empresa contratada estava restrito exclusivamente ao manejo de gatos errantes, ou seja, animais sem dono ou tutoria definida. No entanto, o Ministério Público constatou desvios significativos na execução dos serviços.

"A investigação verificou que animais com tutores definidos estavam sendo capturados e submetidos a procedimentos invasivos. Dessa forma, a retenção e a realização de exames ou cirurgias ocorriam sem o consentimento expresso dos seus responsáveis legais. Portanto, o serviço estava sendo executado completamente fora do escopo contratual estabelecido", informou oficialmente o órgão ministerial.

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Cadastro obrigatório permitia identificação dos animais

O MPRN destacou ainda que a Associação de Moradores do condomínio mantém um cadastro obrigatório de todos os animais domésticos pertencentes aos condôminos, o que tornava perfeitamente possível distinguir entre os felinos errantes e aqueles que possuíam tutores registrados. A empresa responsável pelas capturas recebeu um prazo máximo de dez dias para informar à Promotoria de Justiça sobre o acatamento integral da recomendação, além de detalhar todas as medidas adotadas para cumprimento do documento.

Caso não haja atendimento satisfatório à determinação ministerial, o Ministério Público adiantou que poderá adotar medidas judiciais cabíveis para garantir a proteção dos animais e o cumprimento da legislação vigente.

Caso da gata Lucy mobiliza comunidade e autoridades

O inquérito ganhou maior repercussão após a morte trágica de uma gata doméstica chamada Lucy, ocorrida em janeiro deste ano. O animal faleceu após ser capturado por uma armadilha instalada pelo serviço de manejo de felinos dentro do condomínio. O caso foi registrado na Polícia Civil pelos tutores do animal, que apontaram possíveis falhas graves durante todo o processo de captura, retenção e prestação de informações sobre o paradeiro do animal.

Em protesto realizado na noite do dia 14 de janeiro, moradores e ativistas da causa animal se reuniram para cobrar justiça pelo ocorrido. A família da gata Lucy protocolou na polícia pedido de investigação pela possível prática de crimes de apropriação indébita qualificada, além de crime de maus-tratos a animal doméstico com resultado morte.

Segundo relato familiar, a gata ficou retida indevidamente por várias horas "sem acesso dos tutores, com ocultação sistemática de informações sobre sua localização e com forte indício de falta de tratamento médico-veterinário adequado e tempestivo".

Posicionamentos das partes envolvidas

A empresa Emsuv, responsável pelas capturas, foi procurada e afirmou em nota que os gatos domésticos mencionados, no momento do resgate, não apresentavam identificação visível como coleiras ou cadastro atualizado no condomínio. "Assim que os responsáveis identificaram o animal no condomínio, eles foram imediatamente devolvidos. Alguns desses animais somente foram procurados pelos 'responsáveis' após mais de dez dias do desalojamento", declarou a empresa.

A Emsuv ainda informou que o procedimento recomendado pelo Ministério Público já era adotado desde o início das operações. "Todos os animais desalojados não tinham identificação do responsável. Todos os animais resgatados foram imediatamente comunicados ao condomínio para verificar a existência de responsável cadastrado", complementou a nota.

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Já a administração do condomínio afirmou que todos os procedimentos foram cumpridos corretamente e que o animal faleceu porque apresentava um quadro de saúde grave pré-existente, constatado no hospital veterinário para o qual foi encaminhado. A empresa contratada reforçou que o manejo "seguiu rigorosamente os protocolos técnicos e legais, com acompanhamento de médico veterinário e encaminhamento imediato do animal a hospital veterinário 24h, assim que identificada a gravidade do quadro clínico".

Envolvimento institucional amplia investigação

O escritório regional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Mossoró solicitou formalmente ao Ministério Público um pedido de habilitação como interessado na apuração sobre "possíveis maus-tratos e outras irregularidades" no caso. A medida demonstra a dimensão institucional que o assunto alcançou, mobilizando não apenas a comunidade local, mas também entidades representativas da sociedade civil organizada.

A situação expõe desafios significativos na implementação de programas de controle populacional de animais urbanos, especialmente quando envolvem a interface entre propriedade privada, direitos dos tutores e políticas públicas de saúde animal. O caso continua sob investigação detalhada das autoridades competentes, que buscam equilibrar o manejo necessário de animais errantes com a proteção integral dos direitos dos animais domesticados e de seus responsáveis legais.