Laudo pericial não identifica causa da morte de cão Orelha em Florianópolis
O laudo pericial realizado pela Polícia Científica de Santa Catarina após a exumação do corpo do cão Orelha, ocorrida em 11 de fevereiro, não conseguiu identificar a causa da morte do animal comunitário que foi agredido na Praia Brava, em Florianópolis, no início de janeiro. O documento, ao qual o repórter Jean Raupp, da NSC TV, teve acesso com exclusividade, descartou qualquer fratura no esqueleto do animal, mas destacou que essa conclusão "não deve ser interpretada como ausência de trauma cranioencefálico ou mesmo em outras partes do corpo".
Conclusões detalhadas do laudo pericial
O laudo, que possui 16 páginas e faz parte de uma série de novos pedidos de informações à Polícia Civil solicitados pelo Ministério Público de Santa Catarina, apresentou as seguintes constatações fundamentais:
- Houve a morte do animal, confirmando o óbito de Orelha.
- A análise dos restos mortais não permitiu afirmar qual foi a causa específica da morte, deixando essa questão em aberto.
- Não foram constatadas quaisquer fraturas nos ossos do animal, eliminando essa possibilidade como causa direta.
- A ausência de fraturas não implica ausência de ação contundente contra a cabeça do cão, conforme apontado anteriormente pela Polícia Civil, que sugeriu que a morte poderia ter sido causada por um golpe na cabeça com objeto contundente e sem ponta.
- O texto esclarece que a maioria dos traumas cranianos não apresenta fraturas, mas ainda assim podem ser fatais para os animais.
- Não foi constatado qualquer vestígio que sustente a hipótese de que um prego teria sido cravado na cabeça do animal, como chegou a ser veiculado nas redes sociais.
Condições pré-existentes identificadas no animal
O exame pericial revelou algumas condições de saúde que Orelha apresentava antes da agressão:
- Na região maxilar esquerda do crânio, foi identificada uma área de porosidade óssea não observada no lado oposto, compatível com osteomielite (infecção óssea). A forma como essa porosidade foi observada indica um processo crônico, "não havendo qualquer relação com a ação traumática a qual o animal foi submetido".
- Na coluna vertebral, foi observada presença abundante de osteófitos (resposta do corpo ao processo de sobrecarga e desgaste), compatíveis com espondilose deformante — uma doença degenerativa crônica comum em animais idosos, também sem relação com o possível trauma recente.
Limitações do exame pericial
Os peritos destacaram limitações significativas para a realização do trabalho. O animal já estava em fase de esqueletização, o que comprometeu a análise de tecidos moles. "Assim, o exame se limitou à minuciosa avaliação óssea dos remanescentes mortais", explica o documento. O laudo ainda afirma que "todos os ossos do animal foram minuciosamente examinados visualmente", não tendo sido constatada qualquer fratura ou lesão que pudesse ter sido causada por ação humana, nem mesmo no crânio, na região esquerda, que já havia sido discutida em laudo anterior.
Contexto das investigações e próximos passos
Um mês depois da morte de Orelha, em 4 de fevereiro, o Ministério Público recebeu a conclusão das investigações iniciais. No dia 10, o órgão solicitou informações complementares à Polícia Civil, apontando que o material reunido apresentava lacunas que impediam a formação de uma opinião definitiva sobre o caso. As diligências solicitadas foram enviadas na última sexta-feira (20), incluindo 35 novas ações, 26 atos de investigação e 61 diligências extras. Entre esses pedidos, estava justamente a exumação do corpo do animal.
Agora, o Ministério Público de Santa Catarina segue analisando o material para decidir se acolhe o pedido de internação do adolescente apontado como autor, se solicita mais investigações ou se arquiva o caso. A investigação está em segredo de Justiça por envolver adolescentes, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Entenda o caso Orelha
Orelha foi agredido em 4 de janeiro e morreu no dia seguinte após ser resgatado por populares. Animal comunitário, ele recebia cuidados de vários moradores na Praia Brava, bairro turístico da Capital. Em um laudo inicial, baseado no atendimento veterinário que o animal recebeu, a Polícia Civil apontou que a morte de Orelha teria sido causada por um golpe na cabeça com objeto contundente e sem ponta. O Ministério Público recebeu esse documento e solicitou a exumação do corpo do animal para a realização de um novo laudo, que foi realizado em 11 de fevereiro.



