A Justiça do Amazonas concedeu liberdade provisória a Abraão Monteiro Cascos, Francisco Souza da Silva, Joabe Monteiro Cascos e Anailton Veríssimo Rodrigues. Eles foram presos no sábado (9) durante a Operação Anhangá 2, realizada em Iranduba, interior do estado. Os quatro são investigados por explorar animais silvestres em atividades turísticas no lago do Janauari.
A prisão ocorreu em uma ação conjunta da Polícia Civil e do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam). Durante a operação, dois jacarés e uma preguiça foram resgatados. Segundo as investigações, os animais eram mantidos em cativeiro e supostamente dopados para parecerem dóceis durante as interações com turistas, que pagavam para tirar fotos.
Na decisão judicial, foi considerado que os suspeitos são primários e não possuem antecedentes criminais. Apesar da soltura, eles terão que cumprir medidas cautelares enquanto o caso segue em investigação.
Medidas cautelares impostas
Entre as determinações da Justiça estão a proibição de frequentar áreas de visitação turística ambiental em Iranduba, manter animais silvestres em cativeiro, comercializar ou transportar espécies da fauna nativa sem autorização ambiental e sair do município onde moram.
Os suspeitos também deverão comparecer mensalmente à Justiça para informar endereço e atividade profissional. Segundo a decisão, o descumprimento das medidas pode resultar em prisão preventiva.
Cobrança para fotos durante a operação
Durante a operação, um dos suspeitos chegou a cobrar R$ 30 da equipe da Rede Amazônica para permitir fotos com os animais. Sem saber que estava sendo filmado, ele ofereceu uma preguiça, uma cobra e um jacaré. De acordo com a Delegacia Especializada em Meio Ambiente e Urbanismo (Dema), cordas usadas para amarrar os animais e pequenos cativeiros também foram encontrados no local.
Os animais resgatados foram levados ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em Manaus, onde passam por avaliação veterinária. A Justiça também determinou que o Ipaam ou o Ibama sejam responsáveis pela destinação adequada dos animais e aguardem os resultados dos laudos periciais, que devem indicar se eles foram sedados e se sofreram maus-tratos.
Primeira fase da Operação Anhangá
A primeira etapa da Operação Anhangá ocorreu em 9 de maio de 2025. Na ocasião, um homem de 22 anos foi preso e três adolescentes apreendidos. Sete animais foram resgatados, entre eles preguiças, macacas, uma arara e uma cobra. O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil do Amazonas.



