Justiça de SC acata 35 pedidos do MP para aprofundar investigação sobre morte do cão Orelha
Justiça de SC acata 35 pedidos sobre morte do cão Orelha

Justiça catarinense aprofunda investigação sobre morte de cão em Florianópolis

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) acatou integralmente 35 pedidos apresentados pelo Ministério Público do Estado (MPSC) para ampliar e aprofundar as investigações sobre os atos análogos a maus-tratos no caso dos cães Orelha e Caramelo, além dos crimes de coação e ameaça relacionados aos episódios ocorridos na Praia Brava, em Florianópolis. A decisão judicial representa um significativo avanço na apuração dos fatos que chocaram a comunidade local.

Detalhes da decisão judicial

O colunista da NSC, Ânderson Silva, teve acesso exclusivo ao despacho judicial emitido na terça-feira (10), revelando que entre os pedidos aceitos pela Justiça está a exumação do corpo do cão Orelha para realização de nova perícia. Os requerimentos buscam aprofundar a investigação de diversos atos infracionais atribuídos a adolescentes, incluindo furto qualificado, injúria, ameaça e maus-tratos a animais.

O juiz André Milani postergou a análise do pedido da Polícia Civil que solicitava a internação do adolescente apontado como principal suspeito da morte de Orelha. Segundo a decisão, a análise será realizada "a se considerar a devolução de todos os procedimentos investigatórios à autoridade policial para realização de diligências objetivando a melhor apuração dos fatos".

Medidas determinadas pela Justiça

O magistrado autorizou uma série de medidas investigativas, entre as quais se destacam:

  • A identificação obrigatória em diversos depoimentos já colhidos
  • Oitiva de novas testemunhas indicadas durante as investigações
  • Reinquirição dos veterinários que atenderam os animais
  • Esclarecimentos técnicos detalhados sobre o estado de saúde dos cães
  • Exumação do corpo de Orelha para nova perícia

A perícia no corpo do cão será realizada pela Polícia Científica do estado, conforme confirmado pela Secretaria da Comunicação de Santa Catarina. No exame, o MPSC solicitou que os peritos verifiquem especificamente:

  1. Lesões presentes no animal
  2. Possíveis fraturas ósseas
  3. Datação dos ferimentos (se recentes ou antigos)
  4. Registro fotográfico completo da perícia

Questionamentos do Ministério Público

O MPSC questionou formalmente os critérios utilizados pela polícia para apontar apenas um adolescente como autor dos maus-tratos, considerando que as imagens analisadas mostravam a presença de outras pessoas no local dos fatos. A instituição também determinou esclarecimentos sobre:

  • Eventuais omissões nas investigações
  • Contradições encontradas em depoimentos
  • Identificação de um suposto policial que aparece em áudio anexado pela defesa

Além disso, o Ministério Público solicitou mais esclarecimentos sobre um furto qualificado ocorrido em um quiosque da Praia Brava, com o juiz ordenando:

  • Coleta e juntada de imagens que comprovem arrombamento e danos ao estabelecimento
  • Obtenção de vídeos de câmeras de segurança da região
  • Geolocalização dos celulares dos adolescentes suspeitos
  • Identificação da origem das gravações que circularam entre testemunhas

Crimes de injúria e ameaça

Em relação às suspeitas de crimes de injúria e ameaça, o juiz acatou integralmente os pedidos do MPSC e determinou:

  • Apresentação dos vídeos mencionados por testemunhas durante depoimentos
  • Tomada de depoimento de novas pessoas indicadas nos testemunhos, incluindo a mãe de um dos adolescentes
  • Juntada integral das gravações de monitoramento disponíveis

A decisão judicial exige ainda que a autoridade policial organize e apresente todo o material audiovisual de forma completa e detalhada, indicando os trechos considerados relevantes para a investigação, e realize quaisquer outras diligências que se mostrem necessárias para o completo esclarecimento dos fatos.

Contexto do caso

Segundo investigações da Polícia Civil, o cão Orelha foi agredido no dia 4 de janeiro. No dia seguinte, ele foi encontrado por moradores e levado urgentemente ao veterinário, mas não resistiu aos graves ferimentos. O animal era bastante querido pela comunidade da Praia Brava, onde vivia.

A polícia afirmou que não há imagens nem testemunhas do momento exato da agressão. Um laudo indireto, baseado no atendimento veterinário, apontou que a causa da morte foi um golpe na cabeça por objeto contundente.

O inquérito sobre a morte do cão Orelha foi concluído em 3 de fevereiro, quando a Polícia Civil apontou um adolescente como responsável pelas agressões que resultaram na morte do animal e solicitou sua internação. Três adultos também foram indiciados por suspeita de coação durante o processo investigativo.

Na sexta-feira anterior à decisão (6), o MPSC já havia informado que iria solicitar novas diligências e esclarecimentos à Polícia Civil sobre os inquéritos que investigam os atos análogos a maus-tratos no caso dos cães Orelha e Caramelo e os crimes de coação e ameaça ligados aos episódios na Praia Brava.