
Quem diria, não é mesmo? Aquele bicho tão tranquilo, quase um mascote dos rios brasileiros, se transformou no pesadelo dos pilotos. Pois é – as capivaras, sim, aquelas mesmas que a gente vê tomando sol à beira d'água, são hoje a maior ameaça animal à aviação no país.
Os dados são do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), e pasmem: só em 2024, foram incríveis 119 ocorrências envolvendo esses roedores gigantes. Isso mesmo, cento e dezenove! Um número que deixaria qualquer especialista de cabelo em pé.
Um problema que cresce (e muito!)
O pior de tudo? A situação está longe de melhorar. Comparado com 2023, foi um salto assustador de 73% nos incidentes. Setenta e três por cento! Parece que as capivaras decidiram fazer sombra até mesmo aos urubus, que sempre foram os campeões absolutos nesse ranking nada glamouroso.
E olha que os urubus não ficaram atrás – registraram 101 colisões no mesmo período. Mas as capivaras… essas levaram a taça, sem dúvida. Quem imaginaria?
Por que justo as capivaras?
Aqui vem a parte curiosa. Não é que elas estejam tentando voar ou coisa do tipo. O problema é puramente geográfico – e urbano. Muitos aeroportos foram construídos perto de rios, áreas alagadas… exatamente o habitat preferido desses animais.
Conforme as cidades crescem, o espaço delas diminui. E adivinha? Elas não vão embora. Ficam por ali, pastando tranquilamente, sem nem sonhar que estão no meio de uma rota de decolagem.
Os outros participantes do ranking
Claro, a fauna brasileira não para por aí. Além de urubus e capivaras, outros bichos também aparecem nas estatísticas do CENIPA:
- Jaguatiricas: 25 ocorrências
- Gambás: 23 ocorrências
- Cachorros: 17 ocorrências
- Bovinos: 12 ocorrências
Ou seja, é uma verdadeira arca de Noé involuntária nas pistas brasileiras.
E agora, o que fazer?
O desafio é enorme. Como conciliar a segurança dos voos com a preservação da fauna? Não dá simplesmente sair removendo os animais – até porque, muitas vezes, nós é que invadimos o território deles.
Especialistas em gestão de risco aeronáutico trabalham com monitoramento constante, sistemas de afugentamento não letais e até mesmo adaptação de procedimentos de voo. Mas é uma batalha diária, complexa e cheia de imprevistos.
No fim das contas, a convivência entre progresso e natureza nunca foi tão literal – e tão perigosa. E as capivaras, sem querer, estão bem no centro dessa história.