
Era pra ser mais um voo doméstico como qualquer outro, saindo de Confins com destino a Fortaleza. Mas uma mala — ah, essa mala! — escondia um segredo que nem os agentes mais experientes da Polícia Federal esperavam encontrar durante aquela inspeção de rotina.
Dentro dela, um cenário digno de filme: corais marinhos e um peixe da espécie Mandarim, tão raro quanto delicado, todos embalados de forma precária, sem qualquer condição de sobrevivência. O passageiro, é claro, não tinha autorização para transportar aquela vida silvestre. Quem diria, né?
Parece coisa de filme, mas é a mais pura realidade. A operação foi conduzida pela PF em conjunto com o Ibama, que não perdoa: transporte irregular de espécies ameaçadas é crime ambiental gravíssimo. E olha, a multa pode chegar a R$ 5 mil por unidade apreendida. Faz as contas.
Não é brincadeira: o que estava em jogo?
O peixe Synchiropus splendidus — popularmente conhecido como Mandarim — é uma das espécies marinhas mais cobiçadas por colecionadores, justamente por suas cores vibrantes e comportamento peculiar. Mas é exatamente essa fama que o coloca em risco. Ele figura na lista de animais ameaçados, e tirá-lo do habitat natural, além de cruel, é ilegal.
Já os corais... bem, os corais são fundamentais para o equilíbrio dos oceanos. E retirá-los é como arrancar árvores de uma floresta inteira só para enfeitar uma sala. Não cola.
E agora, o que acontece?
O passageiro foi identificado e responderá por crime ambiental. Os animais, resgatados a tempo, foram encaminhados para centros especializados — ainda não se sabe se sobreviverão. É triste, mas a verdade é que muitos não resistem ao estresse do transporte clandestino.
Esse caso escancara uma realidade frequente nos aeroportos brasileiros: a tentativa de burlar a lei e comercializar ilegalmente a nossa biodiversidade. E olha, a fiscalização está de olho. E a gente também.
Então fica o alerta: wildlife trafficking não é apenas um termo em inglês. É crime. E, cada vez mais, quem insiste nisso cai na rede — dessa vez, literalmente.