Itamarati decreta emergência e se torna terceiro município afetado por cheia no Amazonas
O município de Itamarati passou a integrar oficialmente a lista de localidades em situação de emergência no estado do Amazonas, em decorrência da significativa cheia dos rios que assola a região. Com essa decisão, Itamarati se torna o terceiro município amazonense a adotar tal medida no ano de 2026, acompanhando Eirunepé e Boca do Acre, que já haviam decretado emergência anteriormente.
Níveis dos rios atingem marcas alarmantes
Nesta quinta-feira, dia 19, o rio em Itamarati registrou uma cota preocupante de 21,40 metros. Esse valor está a apenas 51 centímetros da maior marca já documentada no município, que foi de 21,91 metros no distante 7 de abril de 2015. Para se ter uma ideia da gravidade da situação, no mesmo período do ano passado, em 2025, o nível estava significativamente mais baixo, marcando 17,44 metros.
Os outros dois municípios também enfrentam números elevados. Em Eirunepé, o rio alcançou 16,57 metros nesta quinta-feira, enquanto em Boca do Acre a medição foi de 16,39 metros na última segunda-feira, dia 16. A Defesa Civil do Amazonas confirma que as três localidades apresentam cotas superiores às registradas no mesmo intervalo temporal do ano anterior.
Especialista explica causas das cheias
De acordo com André Martinelli, gerente de hidrologia do Serviço Geológico do Brasil, as intensas precipitações nas áreas mais altas das bacias hidrográficas são a principal explicação para o fenômeno. "Nestas localidades foram registradas cotas recordes. Ressalta-se que o tempo de resposta para eventos de chuva nessas regiões de cabeceira é muito rápido. É possível observar subidas ou descidas na magnitude de 5 metros em poucos dias", detalhou o especialista.
Martinelli enfatizou que, nessas regiões, a cheia é diretamente provocada pelas chuvas e que os fenômenos climáticos exercem influência crucial no padrão de precipitação e, consequentemente, na flutuação dos níveis dos rios. "São exatamente os fenômenos climáticos que definem o padrão das chuvas e, como consequência, a flutuação do nível dos rios", acrescentou.
Situação de alerta e atenção se expande pelo estado
Atualmente, a situação hídrica no Amazonas é monitorada de perto, com nove municípios já em estado de alerta:
- Lábrea
- Canutama
- Tapauá
- Pauini
- Envira
- Ipixuna
- Guajará
- Carauari
- Juruá
Além desses, outros treze municípios permanecem em situação de atenção:
- Apuí e Humaitá, no rio Madeira
- Tefé, Maraã, Jutaí e Fonte Boa, no Médio Solimões
- Amaturá, Tonantins, Santo Antônio do Içá, São Paulo de Olivença, Benjamin Constant, Tabatinga e Atalaia do Norte, no Alto Solimões
Os restantes 37 municípios do estado mantêm-se em normalidade, mas o cenário é dinâmico. O monitoramento indica que todas as nove calhas de rios do Amazonas estão em processo de enchente, com previsão de chuvas acima da média nas regiões oeste e centro-sul. A estimativa é que a cheia atinja um total de 35 municípios, afetando aproximadamente 173 mil famílias, o que equivale a mais de 690 mil pessoas.
Ações governamentais e alertas da Defesa Civil
O governo estadual informou que está realizando diversas ações para mitigar os impactos, incluindo a distribuição de cestas básicas, o envio de medicamentos e o reforço no atendimento às comunidades isoladas. O Corpo de Bombeiros também está atuando na Operação Inverno Amazônico, com foco especial na prevenção de deslizamentos de terra e erosões.
A Defesa Civil emitiu um alerta importante, indicando que o pico da cheia nos rios Juruá e Purus pode ocorrer nas próximas semanas, exigindo preparação redobrada. O g1 tentou contato com a Prefeitura de Itamarati para obter informações sobre as medidas específicas adotadas para atender as famílias afetadas e o número exato de pessoas impactadas. No entanto, até o momento da publicação desta reportagem, não houve retorno por parte da administração municipal.