Erosão Avançada no Rio Amazonas Coloca em Risco 100 Famílias do Quilombo Arapemã em Santarém
A Prefeitura de Santarém, localizada no oeste do estado do Pará, decretou situação de emergência no Quilombo do Arapemã, uma comunidade tradicional situada na região de várzea. A medida foi tomada em resposta ao avanço acelerado do processo de erosão da margem fluvial, que ameaça diretamente as moradias e a segurança dos residentes. A decisão ocorreu após uma série de visitas técnicas e monitoramento contínuo da área pela Coordenadoria Municipal de Defesa Civil, que identificou riscos críticos para a população.
Fenômeno das Terras Caídas e Vulnerabilidade das Moradias
O fenômeno natural, conhecido como terras caídas, está associado à dinâmica dos cursos d’água e caracteriza-se pelo desgaste progressivo das margens e do leito do rio. No Quilombo do Arapemã, a erosão encontra-se em estágio avançado, aproximando-se cada vez mais das residências, que são construídas predominantemente em madeira. Isso aumenta significativamente a vulnerabilidade das famílias, composta por 100 unidades que dependem economicamente do programa Bolsa Família e da pesca artesanal para sua subsistência.
Darlisson Maia, coordenador municipal da Defesa Civil (Comdec), explicou que durante as inspeções em campo, a equipe realizou um levantamento métrico e a caracterização do talude marginal. As medições confirmaram que a erosão está em processo acelerado, com diversas unidades habitacionais apresentando vulnerabilidade crítica. As moradias situam-se a aproximadamente 30 metros da margem do Rio Amazonas, um dado que evidencia a iminência do perigo.
Riscos Iminentes e Limitações Territoriais
Foi constatado que a comunidade não dispõe mais de espaço para o recuo das residências, pois o território está comprimido entre o avanço do Rio Amazonas e a proximidade com o Lago do Carobal. Essa situação geográfica limita drasticamente as opções de realocação e aumenta o risco de danos materiais severos, além de representar uma ameaça direta à integridade física e à vida dos moradores.
O fenômeno já ocasionou danos materiais expressivos, afetando não apenas as moradias, mas também bens das famílias, infraestrutura comunitária e áreas produtivas. Trata-se de um cenário de risco elevado e contínuo, que torna inviável a permanência da população nas áreas atingidas, conforme destacou Darlisson Maia em seu relatório.
Medidas Urgentes e Monitoramento Contínuo
Diante desse cenário crítico, a Defesa Civil recomendou o monitoramento contínuo das fendas identificadas na região. Além disso, foi enfatizada a necessidade de articulação imediata entre órgãos municipais e estaduais para a gestão das áreas de risco e a adoção de medidas de proteção às famílias atingidas.
A continuidade do fenômeno exige providências urgentes por parte do poder público, incluindo possíveis realocações e reforços estruturais para mitigar os impactos. A comunidade do Quilombo do Arapemã, com sua rica cultura e modo de vida tradicional, enfrenta agora um desafio ambiental sem precedentes, que demanda atenção e ação rápida para garantir a segurança e o bem-estar de todos os envolvidos.