Trump defende Groenlândia como chave para o Domo de Ouro; Rússia e China criticam
Trump defende Groenlândia para Domo de Ouro; Rússia e China criticam

Nesta quarta-feira (20), Rússia e China criticaram os planos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a construção do Domo de Ouro. A declaração conjunta foi divulgada após o presidente chinês, Xi Jinping, receber o presidente russo, Vladimir Putin, em Pequim. O documento afirma que o sistema ameaça a "estabilidade estratégica".

Críticas de Rússia e China

As partes acreditam que o projeto americano 'Golden Dome', que visa construir um sistema de defesa antimíssil ilimitado, multinível, multiesfera e global para destruir todos os tipos de mísseis, incluindo todos os tipos de mísseis de 'adversários equivalentes', em todos os estágios de seu voo e antes de serem lançados, representa uma ameaça óbvia à estabilidade estratégica. Isso exige a interligação de armas estratégicas ofensivas e estratégicas defensivas.

China e Rússia também lamentaram a "política irresponsável" dos EUA que permitiu que o Tratado Novo START, assinado entre Moscou e Washington em 2010 com o objetivo principal de controlar e reduzir os arsenais nucleares dos dois países, expirasse sem um substituto no início deste ano. A declaração ainda afirma que tentativas de alguns países de realizar "ataques preventivos ou antecipados com mísseis, a fim de decapitar e desarmar o inimigo, são altamente desestabilizadoras e representam uma ameaça estratégica".

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O que é o Domo de Ouro?

O "Golden Dome" — Domo de Ouro, em português — é um sistema de defesa antimísseis inspirado no Domo de Ferro de Israel, anunciado por Trump em maio do ano passado. O projeto é avaliado em US$ 175 bilhões, o equivalente a R$ 1 trilhão, e está em desenvolvimento pelo Pentágono. Trump disse que quer concluí-lo até o final do mandato, em 2029. Assim que assumiu o mandato, em janeiro de 2025, Trump assinou um decreto para levar o projeto adiante. Entre as justificativas, elencou que os EUA sofrem ameaça de ataques balísticos, hipersônicos e de cruzeiro, e estabeleceu que o país adotaria o objetivo "da paz pela força". Em janeiro, o presidente americano afirmou que a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, é "vital" para a construção do sistema.

Funcionamento do Domo de Ouro

O Domo de Ouro foi concebido para ser capaz de detectar e parar mísseis em todos os quatro estágios principais de um possível ataque: detectá-los e destruí-los antes do lançamento; interceptá-los no estágio inicial do voo; pará-los no meio do caminho no ar; e detê-los nos minutos finais enquanto descem em direção a um alvo.

Por que Trump precisa da Groenlândia?

Situada entre os EUA e a Rússia, a Groenlândia é vista há muito tempo como uma área de grande importância estratégica, particularmente no que diz respeito à segurança do Ártico. Os EUA já possuem uma base militar na ilha, mas reduziram drasticamente sua presença: eram cerca de 10 mil militares durante o auge da Guerra Fria; agora são menos de 200. Como é a rota mais curta para um míssil balístico russo atingir o território continental americano, a Groenlândia poderia servir como uma das bases terrestres para interceptadores de mísseis que fazem parte do sistema do Domo.

A localização da ilha também é estratégica porque, além de estar cercada por várias rotas marítimas importantes, ela está situada na chamada lacuna GIUK, um corredor naval entre a Groenlândia, a Islândia e o Reino Unido que liga o Oceano Ártico ao Atlântico. Com o derretimento do gelo no Ártico devido às mudanças climáticas, novas rotas de navegação estão sendo abertas, o que pode reduzir drasticamente o tempo de viagem por mar entre a Ásia e a Europa.

Os EUA desejam instalar radares em terra e no mar, no entorno da ilha, para fortalecer sua capacidade de vigilância em todo esse corredor, rota de passagem para embarcações chinesas e russas que Washington deseja monitorar. "Os EUA precisam de acesso ao Ártico, e hoje não têm muito acesso direto. A Groenlândia, por outro lado, oferece uma quantidade enorme. Precisam de defesas aéreas cada vez mais próximas da Rússia para combater armas de última geração que não são defensáveis com os recursos disponíveis atualmente e a Groenlândia também proporciona isso", destacou Clayton Allen, chefe de operações da Eurasia Group, à CNBC.

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Para além das implicações militares, a ilha também possui vastas reservas inexploradas de petróleo, gás, minerais críticos e elementos de terras raras — recursos essenciais para veículos elétricos, turbinas eólicas, sistemas de armazenamento de energia e tecnologias de Defesa, produtos importantes para os EUA.

Detalhes do projeto

Em agosto, ao apresentar o projeto a 3 mil empreiteiros do setor de Defesa em Huntsville, no Alabama, o Pentágono contou que ele ainda estava nos estágios iniciais e justificou o encontro dizendo que desejava coletar informações "para dar suporte" aos próximos passos. Veja abaixo os detalhes:

  • O Domo de Ouro incluirá quatro camadas: uma baseada em satélite e três em terra, com 11 baterias de curto alcance localizadas nos Estados Unidos continentais, Alasca e Havaí.
  • A primeira camada ficará baseada no espaço para alerta e rastreamento de mísseis, bem como sua defesa.
  • As três camadas terrestres serão formadas por interceptadores de mísseis, conjuntos de radares e, potencialmente, lasers.
  • Os EUA operam bases de lançamento GMD no sul da Califórnia e no Alasca. O plano adicionaria uma terceira base no Centro-Oeste para combater ameaças adicionais.
  • Esta nova base iria abrigar interceptadores chamados NGI, de última geração, que fariam parte da "camada superior" junto com o sistema THAAD (Defesa Terminal de Área de Alta Altitude).
  • Um dos principais objetivos do sistema Golden Dome é neutralizar alvos durante a chamada "fase de impulso" — o estágio inicial e previsível da trajetória de um míssil enquanto ele ainda está subindo pela atmosfera terrestre.
  • O projeto busca implementar interceptadores baseados no espaço, capazes de reagir mais rapidamente e interceptar mísseis inimigos com maior eficiência.
  • As últimas linhas de defesa, chamadas de "camada inferior" e "Defesa de Área Limitada", contarão com novos radares e sistemas já existentes, como o sistema de defesa antimísseis Patriot. Além disso, será implantado um novo lançador, projetado para disparar interceptadores atuais e futuros contra todos os tipos de ameaças.