Tarcísio defende ação da PM na USP e diz que polícia agiu dentro da legalidade
Tarcísio defende ação da PM na USP dentro da legalidade

A Universidade de São Paulo (USP) anunciou nesta quarta-feira (13), um mês após o início da greve dos estudantes, a criação de uma comissão com o objetivo de "promover a abertura de um novo ciclo de interlocução com a representação estudantil". A medida ocorre três dias depois de a Polícia Militar utilizar cassetetes, bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo para retirar alunos de uma ocupação na Reitoria do campus do Butantã, na Zona Oeste da capital paulista.

Criação da Comissão de Moderação e Diálogo

Segundo nota oficial, a Reitoria instituiu a Comissão de Moderação e Diálogo Institucional, tendo como princípio que o diálogo e a convivência pacífica são essenciais para a vida universitária. Profissionais experientes em mediação e resolução de conflitos apoiarão a interlocução entre os estudantes e a gestão da universidade, na busca de soluções para as reivindicações apresentadas.

O movimento estudantil cobra melhorias nas políticas de permanência, como aumento de bolsas, reforma das moradias e manutenção da estrutura física dos campi. Ainda não foram divulgados os nomes dos integrantes da comissão, nem a data da primeira reunião, mas a universidade afirmou que o encontro ocorrerá "com a brevidade necessária". As reuniões serão privadas, com participação apenas da universidade, dos estudantes e dos mediadores.

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Posicionamento da USP sobre a desocupação

A USP lamentou o episódio e informou que a desocupação aconteceu sem comunicação prévia à reitoria. Em nota, a universidade repudiou o uso da violência e reforçou seu compromisso com o diálogo: "A USP repudia que a violência substitua o diálogo, a pluralidade de ideias e a convivência democrática como forma de avanço de pautas e solução de controvérsias".

Declarações do governador Tarcísio de Freitas

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou na terça-feira (12) que a Polícia Militar agiu "dentro dos limites da legalidade". Segundo ele, a polícia tem o dever de atuar quando há "baderna, depredação e destruição de patrimônio público". "A universidade é um espaço aberto, de debate, de conhecimento, pesquisa e extensão, mas não pode ser um espaço de baderna, depredação e destruição de patrimônio público. A polícia agiu como tinha que agir", declarou o governador durante evento no Comando-Geral da PM, no Bom Retiro.

As declarações foram dadas em um evento de lançamento de políticas públicas de combate à violência contra a mulher. Tarcísio também anunciou medidas para reduzir os recordes de feminicídio no estado.

Detalhes da ação policial

A desocupação ocorreu na madrugada de domingo (10). Segundo estudantes e o Diretório Central dos Estudantes (DCE), cerca de 150 manifestantes estavam havia mais de 60 horas ocupando a entrada da reitoria. Os policiais usaram bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes. A PM afirmou que não houve feridos e que a ação foi registrada por câmeras operacionais. Quatro estudantes foram detidos por dano ao patrimônio público e alteração de limites, mas foram liberados após qualificação.

A PM informou ainda que foram apreendidos entorpecentes, armas brancas e objetos contundentes, como facas, canivetes, estiletes, bastões e porretes. A corporação ressaltou que "eventuais denúncias de excesso serão rigorosamente apuradas".

Reintegração de posse e reações

A ocupação começou na quinta-feira (7), durante um protesto ligado à greve de alunos da USP, Unicamp e Unesp. A USP informou à Secretaria de Segurança Pública sobre a ocupação no mesmo dia, mas a reintegração ocorreu sem aviso prévio à reitoria. A universidade afirmou que, durante o período, manteve diálogo com os estudantes, atendendo a diversos itens da pauta e criando grupos de trabalho, mas as negociações chegaram a um limite diante de reivindicações consideradas inviáveis e da presença de pessoas externas à comunidade acadêmica.

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