Estudantes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) aprovaram a greve e iniciaram uma paralisação em diversos cursos da instituição. Até esta quinta-feira (14), ao menos 20 centros acadêmicos haviam aderido ao movimento, conforme informou o Diretório Central dos Estudantes (DCE). As assembleias para decidir sobre a adesão começaram na última quarta-feira (7).
Quais cursos aderiram à greve?
De acordo com o DCE, no campus de Campinas, os cursos que já aprovaram a paralisação incluem: Arquitetura, Licenciatura Integrada de Química e Física, Engenharia de Alimentos, Midialogia, Música, Cênicas, Dança e Visuais, Biologia, Farmácia, Geologia e Geografia, Engenharia de Controle e Automação, Fonoaudiologia, Economia, Ciências Sociais e História, Profis, Engenharia Mecânica, Pedagogia, Química, Letras, Linguística e Estudos Literários, Medicina, Computação, Física/Cursão e Filosofia. Novas assembleias devem ser realizadas nesta quinta-feira à tarde em outros seis cursos. No campus de Limeira (SP), cerca de 3 mil alunos aderiram à greve e suspenderam as aulas na semana passada.
Principais reivindicações dos estudantes
O movimento estudantil afirma que a greve busca "dignidade para morar, estudar e trabalhar". Entre as principais reivindicações estão: bolsas e ações para garantir permanência; melhorias no transporte dentro e entre os campi; acesso a serviços de saúde especializada e mental; implantação do Serviço de Atenção à Violência Sexual (SAVES) em Limeira (já existente em Campinas); espaço físico para centros acadêmicos e diretórios; fim da terceirização de serviços; e contra a autarquização do Hospital de Clínicas. Segundo o representante do DCE, a greve só termina após resposta direta da Unicamp sobre as oito pautas, com prioridade para moradia estudantil e políticas de permanência.
Estopim da greve
A greve foi motivada pela falta de resposta às reivindicações na reunião do Conselho de Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), realizada na última segunda-feira (4). O Cruesp é formado pelos reitores da USP, Unicamp e Unesp, além dos secretários de Desenvolvimento Econômico e da Educação. Atualmente, o conselho é presidido por Paulo Cesar Montagner, reitor da Unicamp. "A pauta estudantil não foi colocada na mesa de negociação na última sessão do Cruesp. Percebemos que a pauta estudantil estava sendo colocada de lado e, então, a necessidade de fazer uma movimentação maior", afirmou Víctor Guglielmoni, representante do Diretório Acadêmico de Limeira.
Sindicato de servidores também entrou em greve
O Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU) também aderiu à greve, afetando 23 setores, incluindo: Faculdade de Ciências Médicas, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Faculdade de Engenharia de Alimentos, Instituto de Biologia, Instituto de Geociências, Instituto de Física Gleb Wataghin, Faculdade de Ciências Aplicadas (Limeira), Faculdade de Enfermagem, Divisão de Educação Infantil, Diretoria Geral de Administração, Instituto de Computação, Biblioteca Central, Instituto de Química, Centro de Engenharia Biomédica, Hospital de Clínicas e Hospital da Mulher (começando a aderir), Colégio Técnico de Campinas (Cotuca), Faculdade de Educação, Instituto de Artes, Diretoria Acadêmica, Sistema de Arquivos (Siarq), Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica, Secretaria Executiva de Comunicação e Centros e Núcleos (Cocen).
O STU apresentou 13 pautas para a campanha salarial 2026, incluindo: reajuste salarial de 15,97% para recompor perdas desde maio de 2012; valorização dos salários iniciais; garantia de isonomia salarial; destinação de 8,64% da Receita Tributária Líquida do Estado para USP, Unesp e Unicamp; contratações por concurso público; reversão de terceirizações; redução da jornada para 30 horas semanais; fim do ponto eletrônico; defesa da aposentadoria pública; hospitais universitários 100% públicos; ampliação de políticas de permanência estudantil; combate a assédios; e defesa da autonomia universitária. Reivindicações emergenciais como vale-alimentação, vale-refeição, auxílio saúde, progressões e pagamento de retroativos também foram citadas.
Nesta quinta (14), representantes do Fórum das Seis irão para São Paulo para nova tentativa de negociação com o Cruesp.
O que diz a Unicamp
A Reitoria da Unicamp informou que as negociações com as lideranças do Fórum das Seis seguem em curso, reafirmando o compromisso com o diálogo transparente e construtivo. Um novo encontro entre o Cruesp e as entidades sindicais será realizado na próxima quinta-feira, dia 14 de maio, em São Paulo. A Unicamp reitera que preserva e respeita os princípios fundamentais da democracia e do debate institucional. As atividades essenciais da Universidade transcorrem normalmente. A Reitoria permanece empenhada no processo de negociação, buscando o melhor desfecho para a preservação das atividades acadêmicas e para o conjunto da comunidade universitária.



