Raglan: a cidade que revolucionou a previsão de ondas no surfe mundial
Raglan: a cidade que revolucionou a previsão de ondas

A quarta etapa do Circuito Mundial da WSL, em Raglan, marca uma estreia no calendário, mas o pico neozelandês já tem um lugar histórico garantido no surfe. Muito antes de receber a elite mundial, registros indicam que a região foi peça-chave no desenvolvimento da previsão de ondas como conhecemos nesta quinta-feira (14).

Anos 1970: a rotina dos surfistas antes da tecnologia

Nos anos 1970, a rotina dos surfistas locais era bem diferente. Sem aplicativos, sites ou mapas de swell, a única forma de saber se havia ondas era simples: pegar o carro e dirigir até a praia. Para quem saía de Hamilton até Raglan, isso significava encarar uma viagem relativamente longa apenas para "dar uma olhada". E, muitas vezes, voltar para casa frustrado.

Crise do petróleo: o catalisador da inovação

Foi aí que um fator externo mudou tudo. Em 1973, a crise global do petróleo provocou escassez e aumento nos preços dos combustíveis ao redor do mundo. Na Nova Zelândia, o governo chegou a implementar um sistema de "dias sem carro", limitando o uso dos veículos a seis dias por semana. Para os surfistas, isso tornou as missões até o mar ainda mais valiosas. Gastar um dos poucos dias permitidos para dirigir e não encontrar ondas boas passou a ser um problema real.

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Necessidade virou inovação

Inspirados por estudos sobre ondas oceânicas e atividade solar conduzidos pelo professor Bruce Liley, da Universidade de Waikato, alguns surfistas começaram a transformar teoria em prática. Entre eles, o estudante Clive Neeson foi pioneiro ao desenvolver uma tecnologia capaz de prever swell e condições de surfe. Décadas depois, os modelos evoluíram, ganharam escala global e se tornaram parte essencial da rotina de qualquer surfista – do amador ao profissional.

Raglan entra na história competitiva

Agora, Raglan abre as portas para receber pela primeira vez uma etapa do CT, com sua famosa esquerda longa e perfeita em Manu Bay como palco. Um cenário que ajudou a mudar o surfe fora d'água. E que agora entra, oficialmente, na história competitiva também dentro dela.

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