Lula anuncia fim da taxa das blusinhas em compras internacionais
Lula anuncia fim da taxa das blusinhas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou oficialmente o fim da chamada taxa das blusinhas, que incidia sobre compras internacionais de até US$ 50. A medida, que gerou intensos debates nos últimos meses, será descontinuada após avaliação do governo federal.

O que era a taxa das blusinhas?

A taxa das blusinhas era o nome popular dado ao imposto de importação de 20% cobrado sobre encomendas internacionais de valor até US$ 50, no âmbito do programa Remessa Conforme. Antes de agosto de 2024, essas compras eram isentas de tributação. A cobrança foi aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo próprio presidente Lula, que na época classificou a decisão como irracional.

Impacto na arrecadação

Apesar da polêmica, a taxa gerou receitas significativas para os cofres públicos. Segundo a Secretaria da Receita Federal, apenas nos primeiros quatro meses de 2026, o governo arrecadou R$ 1,78 bilhão com o imposto de importação sobre encomendas internacionais. Esse valor representa um crescimento de 25% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando foi registrado R$ 1,43 bilhão. O montante também configura um novo recorde para o período de janeiro a abril.

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Pressões pelo fim da taxa

O fim da taxa vinha sendo discutido internamente no governo. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, havia admitido que o tema estava em debate. A oposição tem trazido o tema de volta. Dentro do governo, há ministros que defendem que se reveja a taxa das blusinhas. Eu não tenho tabu em relação aos temas, desde que se preserve os avanços alcançados, declarou Durigan. Ele ressaltou que o programa Remessa Conforme não será abandonado.

Críticos da taxa argumentavam que ela encarecia produtos populares de baixo valor e reduzia a atratividade de plataformas internacionais de comércio eletrônico. Além disso, apontavam que turistas brasileiros em viagens ao exterior não precisavam recolher o tributo, criando uma disparidade.

Defesa do setor produtivo

Por outro lado, o setor produtivo nacional defendia a manutenção da taxa. O vice-presidente Geraldo Alckmin, então ministro do Desenvolvimento, apoiou a medida como forma de proteger a indústria nacional. Em manifesto, representantes dos setores têxtil, de vestuário e calçados afirmaram que a taxa gerou empregos e beneficiou o consumidor ao reduzir a disparidade tributária. O consumidor também foi beneficiado pela redução da disparidade tributária entre plataformas internacionais de e-commerce e o setor produtivo nacional, dizia o documento.

Contribuição para as contas públicas

A arrecadação da taxa das blusinhas ajudou o governo a buscar as metas fiscais. Em 2025, a Receita Federal arrecadou R$ 5 bilhões com o imposto, um recorde. A meta fiscal para 2026 é um superávit de 0,25% do PIB, cerca de R$ 34,3 bilhões, com tolerância de 0,25 ponto percentual. No entanto, o governo prevê um déficit de quase R$ 60 bilhões neste ano, considerando abatimentos legais. Se confirmado, o terceiro mandato de Lula terá contas negativas durante todo o período.

Com o fim da taxa, o governo espera aliviar a pressão sobre os consumidores e retomar o debate sobre a competitividade da indústria nacional versus o comércio eletrônico internacional.

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