Banco do Brasil enfrenta explosão de inadimplência com novas regras do BC
BB tem inadimplência recorde após regras do BC

O Banco do Brasil está enfrentando uma crise de inadimplência sem precedentes, impulsionada pelas novas regras da Resolução 4.966 do Banco Central. Aprovada em 2021 e em vigor desde janeiro de 2025, a resolução proíbe a rolagem indefinida de operações de crédito com mais de 90 dias de atraso. Como resultado, a inadimplência explodiu na carteira de empréstimos para pessoas físicas, jurídicas, microempresas e, especialmente, no agronegócio, onde o BB detinha mais de 50% das operações do país.

Impacto no lucro e nas perdas esperadas

O lucro líquido ajustado do BB encolheu para apenas R$ 3,4 bilhões no primeiro trimestre, uma redução de 53,5% em relação ao mesmo período de 2025 e de 40,2% frente ao trimestre anterior. As perdas esperadas para a carteira total, considerando atrasos de até 30 dias, saltaram de R$ 83,4 bilhões em março de 2025 para R$ 98,8 bilhões em março de 2026.

Pessoas físicas

Na carteira de crédito para pessoas físicas, que soma R$ 361,7 bilhões, as perdas no primeiro trimestre cresceram 87,26% em relação ao final de 2025. Os cartões de crédito, responsáveis por 20% dos créditos, lideram a inadimplência com 8,64% em atrasos acima de 90 dias, ante 7,12% em dezembro e 5,10% em março de 2025. O crédito consignado, que representa 42% dos empréstimos a pessoas físicas, registrou inadimplência de 2,44%, contra 1,90% em dezembro. O financiamento de veículos teve inadimplência de 3,15%, embora tenha caído em relação aos 4,09% de dezembro. Já os financiamentos imobiliários apresentaram ligeira queda, de 3,10% para 3,01%, mas o índice ainda é considerado alto para a modalidade.

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Pessoas jurídicas

A carteira de crédito para pessoas jurídicas encolheu 2,2% no primeiro trimestre, para R$ 393,4 bilhões, devido à redução da taxa de câmbio em operações com moeda estrangeira e à queda de 3,3% nos créditos a microempresas, que representam 24,8% do total. A inadimplência das microempresas atingiu 8,79%, superior à média do mercado. O atraso em capital de giro subiu de 2,72% em dezembro para 3,7% em março.

Caos no agronegócio

No agronegócio, o BB controlava 48,5% dos créditos totais ao setor, com saldo de R$ 418,388 bilhões em março. Sem a possibilidade de rolagens infinitas, mesmo com o alívio da MP 1.314, que permitiu linhas de crédito para liquidação de dívidas de produtores rurais afetados por eventos climáticos, a inadimplência explodiu. Grandes e médios produtores concentram 67% dos créditos, enquanto pequenos produtores respondem por 19,8% das operações. O Centro-Oeste detém 33,9% dos créditos, seguido pelo Sudeste (23,8%) e Sul (22,9%). A pecuária bovina concentra 20,3% dos créditos, máquinas e equipamentos 12,5%, soja 9,6% e café 2,4%.

O custeio agropecuário lidera os atrasos com mais de 90 dias, com inadimplência de 10,56%, um salto de 201% em relação a março de 2025. Os financiamentos do BNDES/Finame rural para máquinas e equipamentos vêm em segundo lugar, com atrasos de 5,58%, uma explosão de 644% frente aos 0,75% de março de 2025. Curiosamente, as linhas do Pronaf, para agricultura familiar, têm a menor inadimplência (2,74%), com alta de 69%. Já os médios produtores do Pronamp registram inadimplência de 4,10%, salto de 201%.

Banco aposta no Desenrola

Para reduzir as operações em atraso, o Banco do Brasil já renegociou R$ 1,5 bilhão em uma semana no programa Desenrola. Foram realizadas 78,2 mil operações com pessoas físicas, totalizando R$ 103,3 milhões. Para outros clientes pessoas físicas fora do programa, foram mais 90,2 mil operações, somando R$ 508,2 milhões. No Desenrola Empresas, nas linhas Pronampe e Procred, foram desembolsados R$ 845 milhões para 6,7 mil empresas. No Desenrola Rural, desde o início, foram realizadas operações de R$ 4,5 milhões para mil produtores rurais.

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