No primeiro trimestre de 2026, o trabalho por conta própria sem registro formal consolidou-se como a principal forma de ocupação no Piauí. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 305 mil piauienses encontram-se nessa condição, o que equivale a 22,8% dos trabalhadores do estado.
Autônomos: maioria no mercado de trabalho piauiense
Esse grupo, conhecido como “autônomos”, abrange profissionais como pedreiros, eletricistas, boleiras, manicures, motoristas de aplicativo e entregadores. As informações foram divulgadas pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) na quinta-feira (14).
Índice acima da média nacional
O percentual de trabalhadores por conta própria no Piauí supera a média nacional. Enquanto no Brasil essa categoria representa 18,3% dos ocupados, no estado chega a 22,8%. Já no Nordeste, a média é de 23,3%, ligeiramente superior ao índice piauiense.
Emprego com carteira assinada em segundo lugar
Diferentemente do cenário nacional, o emprego com carteira assinada não lidera no Piauí e ocupa a segunda posição. Ao todo, 291 mil pessoas possuem registro formal no setor privado, correspondendo a 21,7% dos trabalhadores. No Brasil, os trabalhadores com carteira assinada representam 38,6% dos ocupados; no Nordeste, 28%.
Divisão do mercado de trabalho no Piauí
A pesquisa também detalha a distribuição dos demais segmentos do mercado de trabalho no estado:
- Setor público: 19,4%
- Setor privado sem carteira: 18,8%
- Trabalho doméstico: 6,0%
- Conta própria com CNPJ: 4,7%
- Empregadores: 4,3%
- Trabalho familiar auxiliar: 2,1%
Taxa de desemprego
Apesar do avanço no trabalho por conta própria, a taxa de desemprego no Piauí subiu para 8,9% no primeiro trimestre de 2026. O aumento de 0,9 ponto percentual em relação ao fim de 2025 é considerado sazonal, influenciado pelo término dos contratos temporários de fim de ano. Contudo, este é o menor índice para um primeiro trimestre desde 2015. Em comparação com o mesmo período de 2025, quando a taxa era de 10,2%, houve queda de 1,3 ponto percentual.
Queda no trabalho doméstico informal
O trabalho doméstico no Piauí apresentou mudanças significativas no último ano. Os dados revelam que o número de trabalhadores sem carteira assinada caiu quase 25% entre o primeiro trimestre de 2025 e o mesmo período de 2026. Em números absolutos, o total de trabalhadores domésticos informais no estado diminuiu de 92 mil para 69 mil pessoas. Com isso, a participação desse grupo entre os ocupados no Piauí passou de 7% para 5,1%.
Apesar da redução na informalidade, o número de trabalhadores com carteira assinada cresceu pouco, passando de 10 mil para 11 mil pessoas no período. Segundo o IBGE, a maioria das pessoas que deixou o trabalho doméstico informal migrou para outras ocupações, passou a procurar emprego ou saiu do mercado de trabalho.
O cenário no Piauí difere da média nacional. No Brasil, o total de trabalhadores domésticos, com e sem carteira assinada, permaneceu praticamente estável no último ano. Atualmente, essa categoria representa 6% dos ocupados no estado.



