A Marinha do Brasil ampliou o calado operacional no Arco Lamoso, localizado na foz do Rio Amazonas. Essa medida possibilita a navegação de navios de grande porte em uma das rotas hidroviárias mais importantes do país. O trecho é essencial para a economia da região Norte, especialmente do Amapá, que depende dos rios para o abastecimento. Segundo a Marinha, a mudança deve aumentar a segurança da navegação e fortalecer o escoamento da produção nacional e das exportações brasileiras.
O que é calado?
O calado é a profundidade que uma embarcação ocupa na água, medida da linha d’água até o fundo do casco. Quanto maior o calado, maiores navios podem passar e transportar mais carga. Aumentar o calado é como “aprofundar a pista” por onde os navios passam, permitindo que embarcações maiores naveguem com segurança.
Desafios do Arco Lamoso
O Arco Lamoso é uma área de intensa sedimentação no estuário amazônico. Por isso, levantamentos hidrográficos e atualizações cartográficas são realizados constantemente para garantir rotas seguras. O Capitão de Fragata Anselmo destacou que o principal desafio é a dinâmica dos rios. “Os principais desafios são inerentes à grande dinâmica hidrológica da região, que é influenciada principalmente pela interação entre as diferentes massas d'água que confluem para o trecho da foz. Além disso, há também a ocorrência de um regime pluviométrico sazonal, caracterizado pelos períodos de 'cheia' e de 'seca' dos rios”, comentou.
Importância logística
O trecho faz parte de um corredor logístico essencial para o escoamento de grãos e minérios do Norte e Centro-Oeste até os portos do Arco Norte. O Arco Lamoso tem cerca de 45 quilômetros de extensão e é considerado um ponto crítico da navegação, onde o rio Amazonas encontra o oceano Atlântico. A região é vista como a “porta de entrada” para navios que seguem para os portos do Arco Norte, como Santarém (PA), Vila do Conde (PA), Itacoatiara (AM) e Santana (AP).
Novos limites de calado
Com a mudança, o calado passou a ser de 11,85 metros para navios mercantes com cargas comuns e de 11,65 metros para navios-tanque e embarcações com cargas perigosas, entre 1º de fevereiro e 15 de agosto. Nos outros meses, os limites são de 11,70 metros para navios mercantes e 11,50 metros para navios-tanque e cargas perigosas. A Marinha lembra que mais de 95% do comércio exterior brasileiro é feito por via marítima, o que reforça a necessidade de rotas seguras e eficientes para o transporte de mercadorias.



