Monica Montefalcone, uma mergulhadora italiana que faleceu durante uma expedição em cavernas submarinas nas Maldivas, já havia sobrevivido ao tsunami de 2004 enquanto mergulhava na costa do Quênia. A informação foi divulgada por seu marido, Carlo Sommacal, em entrevista à imprensa italiana.
Uma sobrevivente do tsunami
Segundo Sommacal, Montefalcone conseguiu retornar à superfície ao lado de outros mergulhadores experientes, apesar do perigo iminente. Após o evento, ela enfrentou um longo período de recuperação devido a graves complicações de saúde, mas retomou a prática do mergulho. “Ela tinha duas vidas — uma em terra e outra em seu ambiente, a água”, declarou o marido.
O acidente nas Maldivas
Montefalcone estava entre os cinco italianos que morreram na quinta-feira (14) enquanto exploravam cavernas a cerca de 50 metros de profundidade no Atol de Vaavu, nas Maldivas, conforme informou o Ministério das Relações Exteriores da Itália. As outras vítimas foram sua filha, Giorgia Sommacal; o biólogo marinho Federico Gualtieri; a pesquisadora Muriel Oddenino; e o instrutor de mergulho Gianluca Benedetti, de acordo com o governo local.
Operação de resgate suspensa
O corpo de Benedetti foi recuperado na quinta-feira. No entanto, a operação de alto risco para resgatar os corpos dos outros quatro mergulhadores foi suspensa nesta sexta-feira (15) devido ao mar agitado, que dificultou repetidamente os trabalhos. O ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, afirmou que “tudo o que for possível” será feito para repatriar os corpos, apesar das más condições climáticas. As buscas devem ser retomadas neste sábado (16).
Investigação em andamento
A causa das mortes ainda está sob investigação. O marido de Montefalcone descartou imprudência por parte da esposa, afirmando que ela era uma mergulhadora disciplinada, que avaliava cuidadosamente os riscos antes de cada descida. “Alguma coisa deve ter acontecido”, disse ele ao canal italiano Rete 4.
Mergulho em cavernas: atividade de alto risco
O mergulho em cavernas é considerado altamente técnico e perigoso, exigindo treinamento especializado e equipamentos específicos. Os riscos aumentam em ambientes fechados e grandes profundidades, especialmente com más condições. Especialistas destacam que é fácil perder a orientação dentro das cavernas, principalmente quando sedimentos reduzem drasticamente a visibilidade.
Mergulhos a 50 metros ultrapassam o limite máximo recomendado para mergulho recreativo pela maioria das entidades internacionais de certificação. Profundidades acima de 40 metros são classificadas como mergulho técnico. Nas Maldivas, o limite recreativo é de 30 metros.
Detalhes da operação de busca
O porta-voz da presidência das Maldivas, Mohamed Hussain Shareef, informou que oito mergulhadores participaram das buscas na sexta-feira, trabalhando em duplas para explorar as profundezas e elaborar um mapa. O corpo de Benedetti foi encontrado próximo à entrada da caverna, e acredita-se que os outros quatro mergulhadores tenham entrado mais profundamente. Dois especialistas italianos em resgate em águas profundas e mergulho em cavernas devem se juntar à operação.
Cerca de 20 outros italianos que participavam da mesma expedição a bordo da embarcação “Duke of York” estão em segurança. A embaixada da Itália em Colombo presta assistência, e a Cruz Vermelha ofereceu voluntários para apoio psicológico. A embarcação buscava abrigo das más condições climáticas e aguarda melhora do tempo para retornar a Malé.
Homenagens e repercussão
O Greenpeace Itália prestou homenagem a Montefalcone, descrevendo-a como uma defensora apaixonada da proteção marinha. A entidade afirmou que sentirá falta de seu profissionalismo e da luz especial em seus olhos ao falar sobre as maravilhas do mar. O Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia da Itália também lamentou as mortes, destacando o trabalho de pesquisa e proteção ambiental de Montefalcone.
O Ministério das Relações Exteriores da Itália coordena ações com a Divers Alert Network para apoiar o resgate e o traslado dos corpos. A caverna explorada é dividida em três grandes câmaras conectadas por passagens estreitas. As equipes exploraram duas delas, mas a operação foi limitada por questões de oxigênio e descompressão. Neste sábado, os mergulhadores devem explorar a terceira câmara.



