Mulher com surto psiquiátrico avança com carro contra viatura e muro de adega em Monte Alto
Uma mulher de 45 anos foi presa após avançar com seu carro contra uma viatura da Polícia Militar e a parede de uma adega em Monte Alto, interior de São Paulo, na noite de quarta-feira (15). Elisangela Nunes Rodrigues alegou à Polícia Civil que sofre de transtornos psiquiátricos e que o ataque foi provocado por um surto após um desacordo comercial envolvendo a negociação de uma motocicleta.
Liberdade provisória com medidas cautelares
Em audiência de custódia realizada nesta quinta-feira (16), a Justiça concedeu liberdade provisória a Elisangela, mas determinou uma série de medidas cautelares. Entre elas estão a suspensão do direito de dirigir, com a obrigação de entregar a carteira de habilitação em até 24 horas, comparecimento mensal em juízo para justificar atividades e comprovar atendimento no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), além da proibição de ausentar-se da Comarca de residência por mais de oito dias sem comunicação prévia ao Juízo.
Desacordo comercial como gatilho
De acordo com o delegado Marcelo Lorenço dos Santos, Elisangela afirmou que faz uso de medicamentos controlados e que o incidente teve origem em uma desavença relacionada à compra e venda de uma motocicleta. "Ela disse que faz tratamentos psiquiátricos, toma remédios de tarja preta e que [o caso] envolvia a compra e venda de uma motocicleta. Havia um desacordo comercial em relação à propriedade da moto. Em relação a este fato, gerou todo esse imbróglio, culminando na prisão em flagrante dela", explicou o delegado.
Sequência dos acontecimentos
Segundo o boletim de ocorrência, a mulher inicialmente acionou a polícia para relatar um furto de veículo. Quando os policiais chegaram ao local, constataram que se tratava de uma desavença comercial. Durante o registro da ocorrência, Elisangela avançou com o carro contra uma moto estacionada, quase atingiu várias pessoas na calçada e colidiu contra a viatura policial.
Mesmo após um dos policiais dar um tiro de advertência, sem atingi-la, ela realizou mais uma manobra com o automóvel, perdeu o controle da direção e colidiu contra a parede da adega. O impacto acionou o airbag do veículo e causou ferimentos leves na cabeça e nos braços de um dos agentes, que passa bem.
Versão do comprador da moto
O entregador Cauã de Souza Fernandes, que comprou a moto da mulher, explicou que assumiu os reparos do veículo que estava parado há dois anos e combinou de abater os custos na dívida. "Tudo que eu precisava arrumar, eu falava com ela, e metade do valor que usei para colocar a moto para andar a gente abateu na dívida. Daí, agora que ela viu que a moto está bonita, quis tomar a moto de mim porque quis voltar atrás no negócio", afirmou o entregador.
Segundo Fernandes, a mulher registrou a queixa de roubo porque não encontrou a moto na noite de quarta-feira. Ele estava no local conversando com os policiais quando Elisangela chegou. "Ela chegou me agredindo e aí começou a xingar o policial, que deu ordem de prisão", relatou o comprador.
Prejuízos materiais
A confusão resultou em danos significativos para comerciantes e clientes. Além de atingir a viatura policial, Elisangela passou por cima da moto de um cliente e bateu na parede da adega onde os policiais atendiam a ocorrência.
O dono do estabelecimento, Nicolas da Silva Gonçalves, que trabalhava no local no momento do incidente, contou: "O policial parou para ver a moto que era referente a esse conflito. Passou uma hora e ela veio até aqui, se alterou conversando com o menino da moto, pegou o carro, passou em cima da moto de um cliente que estava consumindo aqui. É prejuízo pra gente, mas graças a Deus não aconteceu nada demais com a gente, só dano material".
Consequências legais
O carro utilizado no ataque foi apreendido e passará por perícia. Elisangela foi autuada especificamente por atingir a viatura da PM e responderá pelos crimes de lesão corporal e dano ao patrimônio público. Presa em flagrante logo após o ataque e encaminhada inicialmente para a Cadeia de Pradópolis, ela agora enfrentará o processo judicial em liberdade, desde que cumpra rigorosamente todas as medidas cautelares estabelecidas pela Justiça.



