Enxurrada em Rio Branco: Prefeitura decreta emergência e propõe auxílio de R$ 2 mil para famílias afetadas
Enxurrada em Rio Branco: emergência e auxílio de R$ 2 mil para famílias

Enxurrada Devasta Bairros de Rio Branco e Prefeitura Declara Emergência

A cidade de Rio Branco, no Acre, enfrenta uma situação crítica após fortes chuvas que resultaram em uma enxurrada de grandes proporções. O prefeito Alysson Bestene decretou situação de emergência nesta quinta-feira (16), reconhecendo a anormalidade provocada pelas águas que atingiram violentamente 15 bairros na região conhecida como Baixada da Sobral. Mais de 1,1 mil famílias foram diretamente afetadas pelo desastre, com muitos moradores tendo que iniciar a retirada de entulhos e lama de suas residências já na quarta-feira (15).

Chuvas Intensas e Acúmulo Recorde Causam Estragos

De acordo com a Defesa Civil Municipal, o volume de precipitação foi extremamente elevado em um curto período. Em apenas três horas, choveu o equivalente ao esperado para uma semana inteira, com um acumulado impressionante de 51,8 milímetros. Esse fenômeno meteorológico resultou em alagamentos severos que invadiram quintais e ruas, transformando a paisagem urbana em um cenário de destruição. O órgão municipal informou ainda que 54 ruas necessitam urgentemente de serviços de limpeza nos bairros atingidos, evidenciando a magnitude dos danos causados pela enxurrada.

Medidas de Assistência e Proposta de Auxílio Financeiro

Além da declaração formal de emergência, que visa permitir intervenções rápidas e eficazes, a gestão municipal anunciou o envio de um Projeto de Lei à Câmara de Vereadores. A proposta institui o Benefício Emergencial Municipal (BEM), no valor de R$ 2 mil, destinado a auxiliar as famílias que foram afetadas pela catástrofe. O projeto deve ser encaminhado até a próxima quarta-feira (22) para análise e votação dos legisladores. Conforme explicou o prefeito Bestene, o decreto de emergência busca facilitar todas as ações necessárias para socorrer a população, desde a coleta de lixo e infraestrutura até a drenagem e limpeza dos esgotos.

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As equipes da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Sasdh) e da Defesa Civil estão atuando em regime de alerta máximo na região da Baixada da Sobral. Elas realizam o cadastramento das famílias atingidas, além de distribuir cestas básicas e kits de limpeza para auxiliar no processo de higienização das residências. "Nesse momento de dor, parte das famílias perderam seus utensílios domésticos, a alimentação e estamos buscando dar toda a atenção necessária para elas", afirmou o prefeito, destacando o compromisso com o apoio integral às vítimas.

Critérios para Recebimento do Benefício e Relatos dos Moradores

O Benefício Municipal Emergencial será direcionado prioritariamente às famílias que estão cadastradas em programas sociais, como o Cadastro Único (CadÚnico), e que sofreram com a enxurrada. "Estamos fechando quais serão os critérios e vão ser aquelas famílias que estão dentro de um dos programas sociais, e vamos estipular um valor que possa chegar até R$ 2 mil para cada família", reiterou Bestene. Os moradores, por sua vez, compartilham histórias de sofrimento e frustração diante da repetição desses eventos climáticos extremos.

No bairro Plácido de Castro, um dos mais atingidos, a aposentada Maria do Socorro da Silva, de 67 anos, ainda enfrenta água acumulada no quintal. Ela chora ao relembrar que tenta, desde 2022, terminar uma construção para elevar sua residência e evitar invasões de água, mas as constantes alagações impedem o progresso da obra. "Moro aqui há 50 anos e não consegui terminar ainda. Sempre alagou aqui, quando vim morar aqui não era assim. Não fizeram esse esgoto direito, sempre alaga, molha tudo e nunca recebi auxílio de ninguém", criticou a moradora, expressando a sensação de abandono.

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Adriane Viana de Lima, autônoma de 29 anos e também residente no Plácido de Castro, vive há dez anos na Rua Fortaleza e estava em casa com a filha de 4 anos quando a chuva começou. "Acho que não teve uma casa que não inundou. A casa do meu sogro inundou, a minha também e tenho uma filha de 4 anos. Além dele [sogro] dar suporte na casa dele, teve que dar suporte na minha também porque não apareceu ninguém para ajudar. É revoltante a gente viver nesta situação", lamentou. Já Priscila Michele Souza Figueiredo, de 32 anos, moradora do Loteamento São Sebastião há nove anos, viu seus filhos perderem um dia de escola porque o quintal da casa estava completamente inundado, ilustrando como o cotidiano foi profundamente alterado pela enxurrada.