Em um julgamento que durou cerca de 12 horas, mãe e filho foram condenados pela morte de um estudante de 14 anos e por ferir gravemente dois adolescentes na porta de uma escola em Anápolis, a 55 km de Goiânia. A sentença foi proferida nesta quarta-feira (29) pelo juiz Fernando Augusto Chacha, que, ao ler a decisão, fez uma reflexão que chamou a atenção dos presentes.
Condenação e indenização
Maria Renata de Merces Rodrigues e Kaio Rodrigues Matos foram condenados a pagar R$ 300 mil em indenizações: R$ 150 mil para a família do adolescente morto e R$ 75 mil para cada um dos dois jovens feridos. Além disso, as penas de prisão somam quase 70 anos. Maria Renata recebeu 40 anos de reclusão, enquanto Kaio foi sentenciado a 29 anos e 7 meses. Ambos foram condenados por homicídio qualificado e tentativa de homicídio; Maria Renata também foi condenada por corrupção de menores, crime do qual Kaio foi absolvido.
A lição do juiz
Ao proferir a sentença, o juiz Fernando Augusto Chacha dirigiu-se aos réus com uma mensagem de reflexão: “Se vocês tivessem pensado dez segundos a mais, ninguém estaria aqui hoje. Estariam todos vocês felizes, em casa. A vítima, réus...”. O magistrado destacou que o crime poderia ter sido evitado se houvesse um momento de pausa antes da ação impulsiva. A declaração foi registrada em vídeo e repercutiu entre os presentes.
Relembre o caso
O crime ocorreu em fevereiro de 2024, na porta do Colégio Estadual Leiny Lopes de Souza, em Anápolis. Imagens de câmeras de segurança mostram uma mulher, identificada como Maria Renata, segurando um martelo e uma faca, acompanhada por dois garotos. Após uma discussão, ela e os jovens agrediram os alunos, resultando na morte de um adolescente de 14 anos e em ferimentos graves em outros dois, de 12 e 15 anos. Uma testemunha relatou à polícia que a mulher usou o martelo para atingir as vítimas.
Defesas anunciam recurso
A defesa de Maria Renata, representada pelos advogados Saulo Silva e Hélio Aquino, afirmou que o julgamento foi justo do ponto de vista processual, mas que irá recorrer da sentença, especialmente em relação à dosimetria da pena. Já a defesa de Kaio, composta pelos advogados Victor José, Layane Teles e Manfredo Vidal, também manifestou intenção de recorrer, argumentando que há circunstâncias relevantes não consideradas na fixação da pena. Ambas as defesas divulgaram notas oficiais detalhando suas posições.
Detalhes da sentença
O juiz negou o direito de os réus recorrerem em liberdade, considerando o risco imposto a terceiros e a idade das vítimas como agravantes. A decisão do júri foi unânime, e as penas foram definidas com base na gravidade dos crimes. A comunidade local acompanhou o julgamento com atenção, e o caso gerou comoção em Anápolis e região.



