O esquema de segurança montado para o megashow de Shakira, que atraiu cerca de 2 milhões de pessoas a Copacabana, tornou-se alvo de investigação das autoridades após a confirmação de falhas em equipamentos de revista do público. De acordo com o governo do estado, pelo menos dois pórticos de segurança instalados nos pontos de acesso ao evento não funcionaram adequadamente. Esses equipamentos deveriam operar com reconhecimento facial por câmeras e também atuar como detectores de metal. Diante da falha, agentes de segurança precisaram realizar a revista manual do público, utilizando detectores portáteis.
Investigação em andamento
As circunstâncias do problema estão sendo apuradas por técnicos do governo. “O fiscal vê o que foi executado. Foram 18 pontos de bloqueio. Se dois não funcionaram, não serão pagos. O pagamento será feito de acordo com o serviço prestado. E mesmo onde o pórtico não funcionou, isso não quer dizer que não houve fiscalização. Foi feito manualmente, como sempre foi feito”, afirmou o secretário de Segurança Pública, Victor dos Santos. Apesar do problema, o governo destacou que o policiamento foi mantido e que não houve comprometimento total do controle de acesso ao evento.
Contrato milionário e questionamentos
A empresa responsável pela instalação dos pórticos foi contratada por R$ 15.978.000, em acordo firmado dias antes do evento. Um dia após a contratação, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) determinou a suspensão de novas contratações do governo estadual com a empresa. A decisão aponta supostas irregularidades na capacidade da companhia para prestar o serviço. Segundo o secretário de Governo e do Gabinete de Segurança Institucional, Roberto Leão, não havia tempo hábil para realizar uma nova licitação antes do evento. “A gente fez a contratação, trocou os fiscais do contrato, e o pagamento só vai ser efetuado após o laudo emitido por esses fiscais sobre a execução do contrato”, disse.
Balanço da segurança
Mesmo com as falhas nos pórticos, o balanço divulgado pelas autoridades aponta redução nos índices de criminalidade em relação a outros grandes shows realizados na cidade. Foram registradas 115 ocorrências, quase metade do número contabilizado em evento semelhante com Lady Gaga e 54% a menos do que no show de Madonna. Os furtos de celular também caíram: foram 66 casos durante o evento, contra 222 no show de Lady Gaga e 106 no de Madonna. A Polícia Militar apreendeu 185 objetos perfurocortantes, como facas, tesouras e estiletes. Seis pessoas foram presas e dois adolescentes, apreendidos.
Para a Secretaria de Segurança, o resultado geral foi positivo, mas as falhas nos equipamentos de revista agora serão analisadas para evitar problemas em futuros eventos de grande porte.
O que dizem os citados
O Governo do RJ informou que, em cumprimento à decisão do Tribunal de Contas do Estado (TCE), não vai mais celebrar novos contratos com a empresa XPTO Tecnologia. A XPTO declarou que está prestando todos os esclarecimentos e afirmou que as informações apresentadas irão demonstrar a regularidade da sua atuação.



