Estudante de veterinária, filha de capitão da PM, mata motociclista em acidente em Boa Vista
Uma tragédia no trânsito abalou a cidade de Boa Vista na noite desta quarta-feira (4), resultando na morte de uma motociclista após uma colisão com uma caminhonete. O acidente, ocorrido na movimentada avenida Ville Roy, na zona Leste da capital roraimense, ganhou contornos ainda mais complexos devido aos envolvidos.
Detalhes do acidente e a vítima fatal
A vítima fatal foi identificada como Patrícia Melo da Silva, uma técnica em enfermagem de 53 anos, que pilotava uma motocicleta no momento do impacto. Com a violência da batida, Patrícia sofreu lesões graves em várias partes do corpo e, apesar do atendimento imediato prestado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) no local, não resistiu aos ferimentos. Ela faleceu durante o transporte para o Hospital Geral de Roraima (HGR), e seu corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para os procedimentos de praxe.
A Polícia Militar, que atendeu a ocorrência, registrou o caso como um "sinistro de trânsito com vítima". Em seu relatório, os agentes destacaram que a perícia técnica não foi acionada, pois os veículos envolvidos já haviam sido removidos de suas posições originais quando a equipe policial chegou ao local do acidente.
A condutora e suas conexões familiares
A condutora da caminhonete envolvida no acidente é Amanda Kathryn Monteiro de Souza, uma jovem de 19 anos que cursa medicina veterinária. O veículo utilizado por Amanda está registrado em nome de seu pai, o capitão da Polícia Militar Helton John Silva de Souza. Tanto Amanda quanto Patrícia possuíam Carteira Nacional de Habilitação (CNH) válida e cadastro ativo nos sistemas de trânsito, conforme verificação policial.
Durante as averiguações, os policiais constataram que a caminhonete estava devidamente licenciada. Já a motocicleta da vítima apresentava licenciamento vencido desde 2018, o que levou à sua remoção para o pátio de uma empresa credenciada.
O histórico polêmico do pai da condutora
A situação ganha um aspecto ainda mais delicado quando se analisa o histórico do pai de Amanda, o capitão Helton John. Ele está diretamente envolvido no assassinato do casal de agricultores Flávia Guilarducci, de 50 anos, e Jânio Bonfim de Souza, de 57 anos, ocorrido em abril de 2024 no município do Cantá. O crime, conhecido como Caso Surrão, teve como motivação uma disputa por terras.
Conforme investigações da Polícia Civil, Helton John é amigo do produtor rural Caio de Medeiros Porto, um dos principais investigados pelo duplo homicídio e atualmente foragido, incluso na lista da Interpol. O capitão teria estado com os executores no dia do crime. Ele chegou a ser preso em maio de 2024, mas foi solto em outubro do mesmo ano, com a aplicação de medidas cautelares.
A investigação do Caso Surrão avançou significativamente graças a uma gravação feita pela vítima Flávia, que capturou as vozes dos suspeitos durante a invasão de sua propriedade, permitindo a identificação dos envolvidos.
Silêncio das autoridades e busca por respostas
Até o momento, a Polícia Civil não divulgou qual procedimento foi adotado na delegacia em relação a Amanda, filha do capitão. Tentativas de contato com a jovem e seu pai por parte da imprensa não obtiveram resposta até a última atualização desta reportagem.
O acidente na avenida Ville Roy expõe não apenas as trágicas consequências de um sinistro de trânsito, mas também as complexas relações familiares e judiciais que permeiam o caso, levantando questões sobre justiça e responsabilidade no estado de Roraima.



