Rui Costa veta Andrei Rodrigues para Ministério da Segurança Pública
Rui Costa veta Andrei Rodrigues para Ministério da Segurança

A promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de criar um Ministério da Segurança Pública pode finalmente sair do papel, mas o caminho está repleto de obstáculos políticos. A principal barreira para a concretização do plano é a forte oposição do ministro da Casa Civil, Rui Costa, à nomeação do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para o comando da nova pasta.

O veto de Rui Costa e os bastidores da disputa

A saída do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, na quinta-feira, 8 de janeiro de 2026, reacendeu a discussão sobre a criação do ministério. Lewandowski deixou o cargo após sucessivos pedidos da família, abrindo espaço para uma reestruturação. Lula nomeou como interino o secretário-executivo da pasta, Manoel Carlos de Almeida Neto, que deve permanecer até uma decisão definitiva.

Nesse cenário, Andrei Rodrigues surge como um dos principais nomes cotados para assumir um eventual Ministério da Segurança Pública. No entanto, Rui Costa promete ser um veto intransponível à sua indicação. As ressalvas do chefe da Casa Civil não são novas e se renovam sempre que seu nome é associado ao escândalo dos respiradores do Consórcio Nordeste.

A pedra no sapato: o escândalo dos respiradores

O caso que alimenta a desconfiança de Rui Costa em relação a Andrei Rodrigues remonta à pandemia de Covid-19. Em 2022, uma investigação revelou uma compra fracassada de 300 ventiladores pulmonares para o Consórcio Nordeste, que gerou um prejuízo de R$ 48 milhões aos cofres públicos.

Na época da transação, Rui Costa era o presidente do consórcio. O inquérito, que já passou pela Polícia Federal da Bahia, pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), apurou que o grupo de estados pagou a quantia milionária, não recebeu os equipamentos e, mesmo assim, atestou que os produtos haviam sido entregues "em perfeitas condições".

Rui Costa sempre defendeu sua inocência, alegando que foi ele quem denunciou a fraude e pediu investigação. Recentemente, conforme revelado, o ministro procurou interlocutores do Judiciário para mapear possíveis desfechos do caso, demonstrando a preocupação que o assunto ainda lhe causa.

Outros nomes na disputa e o contexto eleitoral

Além de Andrei Rodrigues, outros nomes são cogitados para comandar a futura pasta, caso ela seja criada. Entre eles estão:

  • Wellington Lima e Silva: ex-ministro da Justiça no governo Dilma Rousseff por pouco mais de dez dias e atual advogado-geral da Petrobras.
  • Ex-governadores alinhados ao governo: figuras políticas dispostas a elevar a pauta da segurança pública ao status de carro-chefe da campanha eleitoral.

A escolha do ministro tem peso extra em 2026, ano em que Lula buscará um quarto mandato. A segurança pública é apontada como a principal preocupação dos eleitores, tornando a pasta e seu comandante peças-chave na estratégia de reeleição do petista.

A disputa pelo Ministério da Segurança Pública, portanto, vai além de uma simples indicação técnica. Ela reflete um complexo jogo de poder, marcado por desconfianças antigas, investigações milionárias e a pressão de uma eleição presidencial que se aproxima. A decisão final de Lula precisará equilibrar a competência administrativa com as lealdades e os vetos políticos que cercam o Palácio do Planalto.