Eduardo Paes confirma pré-candidatura ao governo do RJ e define transição
Paes confirma pré-candidatura ao governo do Rio

O cenário político do Rio de Janeiro ganhou um novo protagonista definido nesta segunda-feira, 19 de janeiro de 2026. O prefeito da capital, Eduardo Paes (PSD), bateu o martelo e admitiu publicamente sua pré-candidatura ao governo do estado, encerrando um período de especulações e confirmando os rumores que circulavam nos bastidores.

Transição na prefeitura e início da pré-campanha

Em movimento que formaliza a mudança de foco, Paes realizou sua última reunião com o secretariado municipal e anunciou a data para a transição de poder. No dia 20 de março, ele passará oficialmente o comando da prefeitura do Rio para seu vice, Eduardo Cavaliere, que também é filiado ao PSD.

O prefeito revelou que já está em fase de pré-campanha, atividade que intensificou durante visitas a municípios do Norte e Noroeste fluminense no final de semana anterior ao anúncio. Essas regiões são consideradas redutos eleitorais de forças políticas de direita, indicando uma estratégia de ampliação de bases.

Por enquanto, Eduardo Paes é o único pré-candidato definido na corrida pelo Palácio Guanabara, sede do governo estadual. A situação se deve à indefinição no grupo do atual governador, Cláudio Castro, e do senador Flávio Bolsonaro, ambos do PL (Partido Liberal), que ainda não consolidaram seus planos para a sucessão.

Alinhamento com Lula e busca por união de forças

Um dos pontos centrais da estratégia de Paes é o alinhamento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Partido dos Trabalhadores (PT). O prefeito afirmou que ele e o PT estão "entendidos", buscando uma aliança sólida para a disputa estadual.

"A gente quer aliança com o Partido dos Trabalhadores, o presidente Lula é um aliado, nós estamos absolutamente entendidos. Não há dúvida nesse cenário eleitoral do meu apoio ao presidente Lula na sua eleição, não tem dúvida nenhuma do apoio dele a mim", declarou Paes, conectando as eleições estadual e nacional.

Para aparar arestas após críticas recentes do vice-prefeito Cavaliere ao PT, Paes esteve em Brasília na semana anterior ao anúncio, em reunião com o presidente Lula. O gesto reforça a intenção de manter a coalizão nacional no plano estadual.

Fuga da polarização e foco em "entregas"

Em suas declarações, Eduardo Paes deu sinais claros de que tentará conduzir uma campanha fora do eixo da polarização política que marcou eleições recentes. Ele defendeu a "união de forças" para o Rio de Janeiro e fez uma crítica velada à importação automática de votações presidenciais para a esfera estadual.

"O Rio de Janeiro precisa de união de forças. Eventualmente, nessas alianças pode até ter alguém que não concorde comigo, não vote na candidatura presidencial", ponderou. Ele usou como exemplo a eleição de 2018, quando foi derrotado por Wilson Witzel: "quando as pessoas automaticamente seguiram o voto nacional e transportaram essa decisão para o Rio de Janeiro a gente não foi muito bem sucedido".

A estratégia eleitoral do prefeito, segundo integrantes de seu núcleo duro, é "acelerar as entregas" à população, priorizando obras e ações concretas sobre as articulações políticas. Um secretário de sua equipe foi enfático: "Uma coisa muito ruim é acharem que a eleição só se ganha com as articulações políticas. A população decide o voto olhando para as entregas".

Nesse contexto, uma série de eventos públicos com Paes já está planejada para as próximas semanas, incluindo:

  • A inauguração das obras de reforma dos hospitais Cardoso Fontes e Andaraí, que foram transferidos da esfera federal para a municipal.
  • O lançamento oficial da operação da Força Municipal Armada, uma nova corporação de segurança.

Recusa ao mandato-tampão e cenário eleitoral

Questionado sobre a possibilidade de um mandato-tampão no governo estadual – cenário que se abriria se o governador Cláudio Castro renunciasse para concorrer ao Senado –, Paes foi categórico. "Eu não estarei disputando essa eleição indireta, eu vou disputar a eleição direta", afirmou, deixando claro que seu objetivo é vencer nas urnas em outubro de 2026.

Com essa definição, o prefeito do Rio coloca-se na dianteira da disputa, enquanto seus possíveis adversários do PL ainda avaliam seus movimentos. A antecipação de Paes lhe concede vantagem em termos de organização de campanha, formação de alianças e captação de recursos.

O caminho traçado por Eduardo Paes aponta para uma campanha baseada na sua gestão à frente da prefeitura, no alinhamento com o governo federal e na tentativa de construir uma ampla frente que transcenda divisões ideológicas rígidas. Seu discurso foca na pragmática das "entregas" e na necessidade de união para resolver os problemas do estado, em contraste com uma narrativa puramente ideológica.

Os próximos meses serão decisivos para verificar se essa estratégia conseguirá mobilizar o eleitorado fluminense e consolidar Paes como favorito na sucessão de Cláudio Castro. A reação dos grupos adversários, principalmente do PL, e a definição de um nome único pela direita serão fatores cruciais no desenho final da corrida eleitoral.