Em meio a um cenário global de incertezas, a inteligência artificial (IA) se destaca como uma força em crescimento constante, mantendo um desempenho robusto nos mercados. A avaliação é de que esse movimento não representa uma bolha especulativa, mas uma transformação profunda e permanente. Cássio Pantaleoni, diretor de IA da Quality Digital, é enfático: "A IA veio para ficar. Ela é inexorável, incontornável para o nosso futuro". A discussão, segundo ele, deixou de ser sobre a existência da tecnologia para focar na distinção entre o que já é realidade aplicada e o que ainda permanece no campo das promessas.
O desafio brasileiro: além dos data centers
Quando o foco se volta para o Brasil, o diagnóstico apresentado por Pantaleoni é claro. O país possui características naturais, como escala e custos, que o tornam um polo atrativo para a instalação de data centers. No entanto, hospedar servidores e dados é apenas uma parte da equação. "O grande diferencial não está na infraestrutura, e sim no capital intelectual", ressalta o executivo. O retorno real dos investimentos em inteligência artificial está intrinsecamente ligado à capacidade humana de entender, gerenciar e aplicar essas ferramentas de forma estratégica.
Pantaleoni argumenta que a IA, mais do que qualquer revolução tecnológica anterior, exige uma contrapartida de inteligência e discernimento por parte das pessoas. "E isso só vem com capacitação, formação e letramento", afirma. Esse processo de educar a sociedade e a força de trabalho para a nova era digital é visto como uma responsabilidade que deve ser compartilhada entre diferentes atores.
Letramento digital: uma responsabilidade de todos
Para que o Brasil não fique apenas na posição de hospedeiro de dados e avance para a de produtor de conhecimento e soluções em IA, um esforço coordenado é essencial. O diretor da Quality Digital defende que:
- O governo deve priorizar investimentos em políticas de requalificação profissional em larga escala.
- As empresas precisam encarar a educação estratégica de seus colaboradores não como um custo, mas como um investimento fundamental.
- Os indivíduos têm a responsabilidade de buscar compreender a transformação em curso e se adaptar, desenvolvendo novas habilidades.
"A pior escolha é resistir", alerta Pantaleoni. "Não se trata de lutar contra a tecnologia, mas de aprender a caminhar com ela". A mensagem é de adaptação proativa, posicionando a capacitação humana como o pilar central para aproveitar as oportunidades.
O caminho: exportar conhecimento, não apenas dados
O futuro desejado para o Brasil, na visão apresentada, é claro: tornar-se um centro de excelência no uso e no desenvolvimento de soluções em inteligência artificial. Isso significa ir além da atração de investimentos em infraestrutura física e construir uma economia do conhecimento robusta. O objetivo final é que o país passe a exportar conhecimento, tecnologia e serviços de alto valor agregado, e não apenas oferecer espaço para armazenamento de dados. A decisão sobre qual papel o Brasil ocupará nessa corrida global pela IA está sendo tomada agora, e depende diretamente das escolhas em educação e inovação.