CPMI do Banco Master: 229 assinaturas, mas PT, Psol e PCdoB se abstêm
Oposição avança com CPMI do Banco Master; base governista resiste

Uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar as irregularidades do Banco Master e supostas conexões político-financeiras está no centro de uma disputa política em Brasília. A oposição, liderada pelo deputado Carlos Jordy (PL-RJ), conseguiu reunir as assinaturas necessárias para instalar a comissão, mas enfrenta a resistência aberta dos partidos da base governista.

Assinaturas suficientes, mas ausências estratégicas

O vice-líder da oposição na Câmara, Carlos Jordy, já coletou o apoio de 229 parlamentares – sendo 196 deputados e 33 senadores. Esse número é mais do que suficiente para dar andamento à criação da CPMI, que tem como foco os negócios do banqueiro Daniel Vorcaro e possíveis interferências no processo de liquidação do Banco Master.

No entanto, uma análise minuciosa da lista de apoiadores revela uma ausência significativa: nenhum parlamentar do PT, Psol ou PCdoB – partidos que formam o núcleo de sustentação do governo Lula – assinou o requerimento. Em conversas reservadas, políticos dessas legendas atribuíram a decisão a uma orientação direta do Palácio do Planalto.

Os motivos por trás da resistência do governo

A relutância do governo em apoiar uma nova CPMI tem explicações táticas. Em um ano eleitoral como 2026, os trabalhos de uma comissão investigativa podem consumir tempo político e atrapalhar a tramitação de projetos considerados prioritários pelo Executivo.

Entre as propostas que poderiam ser impactadas estão a PEC da Segurança Pública e o PL Antifacção, temas sensíveis em um momento em que o combate à criminalidade aparece no topo das preocupações dos eleitores, segundo pesquisas de opinião.

Figuras-chave também ficam de fora

Carlos Jordy também destacou outras ausências notáveis na lista de apoiadores. Chama atenção a falta da assinatura do presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), uma das principais lideranças do Centrão. Outro nome que não subscreveu o pedido foi o de Mecias de Jesus (Republicanos-RR), pai do ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União (TCU).

A conexão familiar ganhou relevância após o ministro do TCU determinar uma inspeção de emergência no Banco Central para verificar detalhes do processo de liquidação do Banco Master. A medida, vista como uma intromissão indevida nas atribuições do BC, gerou tanta repercussão negativa que o próprio ministro acabou recuando. "Acho que agora sabemos por que alguns não assinaram o requerimento, não é?", ironizou o deputado Jordy, em referência ao episódio.

As investigações e os nexos políticos

As investigações da Polícia Federal já apontaram que parte dos negócios considerados suspeitos do Banco Master foi realizada com entidades estaduais em regiões sob forte influência política. As operações com indícios de irregularidades teriam ocorrido em unidades federativas como Rio de Janeiro, Amapá, Bahia e Distrito Federal, aumentando o interesse da CPMI em desvendar eventuais elos entre o setor financeiro e figuras públicas.

A instalação desta CPMI promete acirrar os ânimos no Congresso Nacional, colocando sob os holofotes não apenas as operações de um banco em liquidação, mas também as complexas relações entre o poder político e o sistema financeiro em um ano decisivo para a política brasileira.