Tecnologia brasileira revoluciona análise de café com identificação por região
Uma inovação tecnológica desenvolvida em parceria entre a Embrapa Rondônia e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) está transformando a forma como se analisa a qualidade e origem dos cafés brasileiros. O método utiliza espectroscopia na região do infravermelho próximo para diferenciar cafés conforme sua procedência geográfica e, simultaneamente, detectar possíveis adulterações nas amostras.
Como funciona a análise por espectroscopia
O pesquisador Michel Baqueta, doutor pela Unicamp, detalhou o funcionamento desta tecnologia em entrevista ao Record News Rural. "A espectroscopia na região do infravermelho próximo se baseia na interação da energia com a amostra", explicou Baqueta. "Quando a amostra recebe essa energia, emite um sinal que é capturado pelo equipamento e transformado numa curva de dados. Essa curva nos permite compreender detalhadamente a composição química do café analisado."
Cada amostra de café possui o que os pesquisadores chamam de "impressão química" única, uma espécie de assinatura molecular que revela características específicas do grão. Através da análise dessas curvas, é possível identificar variações na composição, como teores diferenciados de açúcares, lipídeos ou proteínas.
Detecção de adulterações e garantia de qualidade
Um dos aspectos mais relevantes desta tecnologia é sua capacidade de identificar fraudes no produto. "Quando estudamos cafés em relação à origem, variedade, ou mesmo quando estão adulterados com misturas de outros alimentos, essas curvas que representam os componentes da amostra se modificam significativamente", destacou o pesquisador. "Essa alteração aciona um alerta que indica possíveis adulterações."
Segundo Baqueta, na cafeicultura brasileira, essa abordagem tecnológica representa uma novidade importante. O método permite análises rápidas e com custos reduzidos, oferecendo uma ferramenta eficaz para produtores, exportadores e órgãos de fiscalização garantirem a autenticidade e qualidade do café nacional.
Impacto no agronegócio cafeeiro
A tecnologia desenvolvida pela Embrapa Rondônia e Unicamp promete fortalecer a cadeia produtiva do café brasileiro de várias maneiras:
- Valorização de origens: Diferenciação clara entre cafés de diferentes regiões, permitindo melhor remuneração por produtos com características específicas.
- Combate a fraudes: Detecção eficiente de adulterações que prejudicam a qualidade e reputação do café brasileiro.
- Controle de qualidade: Análise precisa da composição química dos grãos, auxiliando no desenvolvimento de produtos com padrões consistentes.
- Inovação tecnológica: Posicionamento do Brasil na vanguarda das pesquisas aplicadas à cafeicultura mundial.
Esta iniciativa representa um avanço significativo para o setor cafeeiro brasileiro, que busca constantemente aprimorar seus processos e garantir a excelência de seus produtos no mercado nacional e internacional.