Mudança histórica na Apple: Tim Cook deixa comando após 15 anos
Em um anúncio que marca o fim de uma era, Tim Cook revelou que deixará o cargo de presidente-executivo (CEO) da Apple após 15 anos à frente da empresa. Sucessor de Steve Jobs desde 2011, Cook liderou a companhia durante seu período de maior valorização, transformando-a em uma das corporações mais valiosas do mundo. A transição está programada para 1º de setembro de 2026, quando John Ternus, atual vice-presidente sênior de engenharia de hardware, assumirá as rédeas da gigante tecnológica.
Transição planejada e mudança de funções
A reportagem do The New York Times, publicada em janeiro de 2026, já antecipava essa movimentação, indicando John Ternus como principal candidato à sucessão. O documento revelava que Tim Cook havia expressado a executivos da empresa seu cansaço e intenção de reduzir a carga de trabalho. Contudo, Cook não se afastará completamente da Apple – ele assumirá o cargo de presidente do conselho de administração, mantendo sua influência na estratégia corporativa.
Tim Cook ingressou na Apple em 1998, após experiências de 12 anos na IBM e aproximadamente um ano na Compaq. Inicialmente como vice-presidente de operações, ele ascendeu a diretor de operações em 2005, responsabilizando-se pela cadeia de suprimentos, vendas e serviços. Sua nomeação como CEO ocorreu em 2011, apenas dois meses antes do falecimento de Steve Jobs, o visionário fundador que ele sucedeu.
Legado de crescimento e desafios
Para o especialista em tecnologia e inovação Arthur Igreja, apesar do ceticismo inicial que cercou sua ascensão, Tim Cook deixa um saldo positivo à frente da Apple. "Steve Jobs foi talvez o primeiro CEO 'superstar', e Cook assumiu sob forte desconfiança. Ele era visto como um gestor focado em processos e custos, não como um líder visionário ligado ao design", analisa Igreja.
Sob sua liderança, a Apple expandiu significativamente seu portfólio, introduzindo novas categorias como Apple Watch, AirPods e Apple Vision Pro, além de desenvolver plataformas como iCloud, Apple Pay, Apple TV e Apple Music. No entanto, Igreja observa que também houve produtos questionáveis, como o Apple Vision Pro, que não alcançou o impacto esperado, e polêmicas envolvendo relações governamentais, incluindo uma aproximação considerada controversa com o governo de Donald Trump.
Números impressionantes e desafios futuros
Os números da gestão Cook são extraordinários: o valor de mercado da Apple saltou de aproximadamente US$ 350 bilhões para US$ 4 trilhões, um aumento superior a 1.000%. A receita anual quase quadruplicou, passando de US$ 108 bilhões no ano fiscal de 2011 para mais de US$ 416 bilhões em 2025.
Arthur Igreja destaca que, durante esses 15 anos, a Apple ampliou sua presença global, reduzindo a dependência de mercados tradicionais como EUA e Europa. A empresa também diversificou sua produção, antes concentrada na China, expandindo para países como Vietnã e Índia. "A empresa ficou menos dependente do iPhone, que já representou quase metade da receita, e passou a crescer mais em serviços e acessórios", afirma o especialista.
Entretanto, Cook enfrentou críticas relacionadas aos avanços mais tímidos da Apple em inteligência artificial, enquanto concorrentes investem bilhões na área. Recentemente, a Apple perdeu o posto de empresa mais valiosa para a Nvidia, refletindo preocupações dos investidores com inovação – um cenário que desafiará a futura gestão de John Ternus, segundo análise da agência Reuters.
O novo líder: John Ternus
John Ternus, que assumirá como CEO em setembro de 2026, ingressou na Apple em 2001, integrando inicialmente a equipe de design de produtos. Ao longo dos anos, ascendeu a posições de liderança na área de engenharia de hardware, tornando-se vice-presidente da divisão em 2013. Desde 2021, faz parte da equipe executiva da empresa.
Antes de sua carreira na Apple, Ternus trabalhou como engenheiro mecânico na Virtual Research Systems. Ele é formado em Engenharia Mecânica pela Universidade da Pensilvânia. Tim Cook expressou confiança em seu sucessor: "John Ternus tem a mente de um engenheiro, a alma de um inovador e o coração para liderar com integridade e honra. Ele é um visionário cujas contribuições para a Apple ao longo de 25 anos já são numerosas demais para serem contadas, e ele é, sem dúvida, a pessoa certa para liderar a Apple rumo ao futuro".
A transição ocorrerá poucos dias antes do anúncio da possível nova geração do iPhone 18, marcando o início de uma nova fase para uma das empresas mais influentes do mundo tecnológico.



